Aliados apontam Eduardo Gomes como possível dissidente, enquanto candidato cobra compromissos que não avançaram como a direita esperava, entre eles a anistia
O senador Rogério Marinho (PL-RN) reforçou à bancada do PL, durante reunião nesta quarta-feira, que Davi Alcolumbre (União-AP) não cumpriu os acordos firmados com a direita em 2024 e pediu aos correligionários que não acreditem em novos acenos do presidente do Senado. O alerta busca evitar deserções na eleição para o comando da Casa, depois de o partido lançar sua candidatura nesta quarta-feira.
Aos correligionários, Marinho lembrou a insatisfação com pautas que não avançaram como a oposição esperava, especialmente a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em lugar do perdão defendido pelos bolsonaristas, Alcolumbre articulou uma alternativa de redução de penas (o que foi considerado insuficiente para atender às expectativas do grupo). A resistência do presidente do Senado à abertura de processos de impeachment de ministros do STF também foi citada por Marinho.
Ao citar aquilo que definiu como “falta de palavra”, Marinho tentou reduzir o espaço para negociações individuais de integrantes do PL com Alcolumbre. A preocupação é que a votação secreta permita a parlamentares apoiar a recondução do atual presidente.
Nos bastidores, Eduardo Gomes (PL-TO) é apontado como uma possível dissidência. Vice-presidente do Senado e próximo de Alcolumbre, ele foi escolhido para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, posto de influência na definição das regras para a elaboração do Orçamento.
A avaliação entre aliados de Marinho é que, para concretizar esse movimento, Gomes teria de trocar de legenda. O senador nega qualquer possibilidade de abandonar o PL ou se tornar dissidente.
Para reduzir o risco de deserções, Marinho defende que os parlamentares de direita divulguem publicamente suas escolhas na eleição de 1º de fevereiro. O PL terá a maior bancada da Casa, mas precisará de votos de outras siglas para alcançar os 41 necessários para a vitória.
Fonte: veja.abril.com.br