Primeira-dama dos Estados Unidos teve papel central na trégua em Oleshky, cidade ao sul do país ocupada pela Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, homenageou nesta quarta-feira, 4, a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, com uma condecoração nacional por seu papel central na negociação de um cessar-fogo parcial da guerra. A trégua possibilitou que civis ucranianos fossem retirados de uma cidade ocupada pela Rússia.
“Por meio deste decreto, concedo a Ordem da Princesa Olga de primeira classe a Melania Trump, primeira-dama dos Estados Unidos”, afirma o documento divulgado no site da Presidência ucraniana.
O texto ressalta sua “importante contribuição pessoal ao apoio humanitário à Ucrânia, bem como seu trabalho ativo na área dos direitos humanos e das ações beneficentes”.
No mês passado, a primeira-dama ajudou a pôr de pé um cessar-fogo temporário em Oleshky, cidade ocupada pela Rússia na região de Kherson, no sul ucraniano. Segundo a Casa Branca, ela começou um diálogo entre os dois países que conseguiu o acordo para levar necessária ajuda humanitária à população civil e ajudou moradores a deixar a cidade na linha de frente. Segundo Melania, quase 800 pessoas foram resgatadas.
A pausa incomum entrou em vigor na terça-feira 27 e durou até domingo, 1º de novembro. A operação mobilizou 25 ônibus e nove ambulâncias. Os moradores que decidiram partir foram levados inicialmente para a Crimeia, península anexada por Moscou em 2014, e depois separados de acordo com o destino escolhido: Rússia ou Ucrânia.
A Casa Branca informou ainda Melania deve juntar representantes da Rússia e da Ucrânia em Washington nesta quinta-feira, 5.
Retomada da diplomacia
Além do encontro na Casa Branca, mediadores americanos se reunirão com representantes russos e ucranianos na próxima semana, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para uma nova rodada de negociações sobre o fim da guerra. Será o primeiro encontro presencial entre as partes desde fevereiro, e deve contar com a presença do enviado especial de Donald Trump, Steve Wittkoff.
Um assessor do Kremlin também afirmou recentemente que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria disposto a atender uma eventual ligação do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Em declaração à agência de notícias Interfax no final de semana, Yuri Ushakov afirmou que o líder russo nunca se recusou a manter conversas com o governo ucraniano.
Creio que ele atenderia, claro. Putin nunca se recusou a dialogar, disse Ushakov, de acordo com a Interfax.
Combates continuam
O conflito, desencadeado em 2022 pela invasão russa, devastou áreas do leste e do sul da Ucrânia, deixou centenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar suas casas. A Rússia controla atualmente cerca de um quinto do território ucraniano. Os esforços diplomáticos liderados por Washington para pôr fim à invasão ficaram amplamente paralisados ao longo deste ano, quando as atenções se voltaram à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Também nesta terça, veículos de comunicação ucranianos relataram um ataque contra a refinaria de petróleo de Kstovo, descrita como uma das maiores refinarias da Rússia, produtora de combustíveis e lubrificantes. A Ucrânia tem atacado repetidamente instalações petrolíferas e de gás russas, argumentando que se trata de uma resposta legítima aos bombardeios contra sua infraestrutura energética.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona Kiev a interromper esses ataques, por considerar que eles contribuem para a alta dos preços do diesel. Analistas, por sua vez, atribuem esse aumento à guerra no Oriente Médio.
Fonte: veja.abril.com.br