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Republicanos culpam Trump por derrota nas eleições e cobram mudança no partido

Aliados responsabilizam presidente pelo revés e citam guerra, inflação e desgaste político entre as causas

A derrota nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abriu uma crise no Partido Republicano. Depois de os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, parlamentares e estrategistas da legenda passaram a responsabilizar o presidente Donald Trump pelo resultado. Entre as principais críticas estão a guerra contra o Irã, a alta do custo de vida e o distanciamento da Casa Branca em relação às preocupações dos eleitores.

A culpa é dele. Não é de mais ninguém. É uma rejeição total e completa ao presidente Trump, afirmou Bill Miller, lobista republicano do Texas, à BBC. Isto é um desastre de proporções inimagináveis. Ninguém previu que isso aconteceria, acrescentou. Embora republicanos já considerassem difícil manter a maioria na Câmara, o avanço democrata surpreendeu pela dimensão e alcançou estados tradicionalmente conservadores, como Texas e Kansas, além da Carolina do Sul.

Guerra no Irã e custo de vida pesam na derrota

A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, aparece entre os principais fatores apontados para o resultado. O conflito elevou a preocupação com os preços dos combustíveis e agravou a insatisfação com o custo de vida, uma das principais questões da campanha.

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O vice-presidente JD Vance atribuiu à guerra a derrota republicana. A razão pela qual perdemos foi a guerra, escreveu no X. Mais tarde, Trump admitiu que a avaliação era em grande parte verdadeira. O deputado republicano Don Bacon também responsabilizou o presidente: em declaração à AFP, citou os preços dos combustíveis, as tarifas comerciais, a relação com aliados internacionais e a aproximação com Vladimir Putin. Ninguém na Casa Branca está disposto a dizer a verdade ao presidente, afirmou.

O senador John Curtis, de Utah, disse que os americanos esperavam uma melhora econômica depois do governo de Joe Biden, mas encontraram guerra, controvérsias políticas, aumento da dívida e incertezas provocadas pelas tarifas. Ele defendeu que o partido retome valores conservadores tradicionais.

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Jovens e latinos se afastam do partido

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A votação também indicou um recuo republicano entre grupos que haviam ampliado o apoio a Trump em 2024. Estimativas citadas pelo New York Times apontam uma mudança superior a 30 pontos percentuais entre os eleitores jovens em relação à eleição presidencial, especialmente entre homens.

O voto latino também apresentou uma reversão. Depois de alcançar em 2024 seu melhor desempenho histórico entre esses eleitores, os republicanos perderam parte desse apoio. Vanessa Cárdenas, diretora-executiva da organização America’s Voice, afirmou à AFP que as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) contra imigrantes, inclusive pessoas em situação regular, contribuíram para afastar eleitores latinos.

Trump minimizou o resultado. Meu nome não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora!, escreveu na Truth Social. Em entrevistas à Fox News e ao New York Times, disse que aceitaria os resultados e lembrou que o partido do presidente costuma perder espaço nas eleições de meio de mandato. Desde 1934, a legenda que ocupa a Casa Branca só conseguiu ganhar cadeiras em três dessas disputas.

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Futuro dos republicanos

A perda das duas Casas do Congresso deve dificultar a agenda de Trump na segunda metade do mandato. Com os democratas no comando do Legislativo, o presidente terá de enfrentar uma oposição fortalecida, capaz de bloquear propostas e ampliar a fiscalização sobre seu governo.

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O resultado também antecipa a disputa pela sucessão em 2028. Nomes como JD Vance, Marco Rubio e Ted Cruz já aparecem nas conversas sobre possíveis candidatos.

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Fonte: veja.abril.com.br

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