Vitória dos democratas nas eleições legislativas dos EUA aumenta pressão sobre Trump por acordo com Teerã
O preço do petróleo caiu quase 9% nesta quarta-feira (4) e voltou a ficar abaixo de US$ 100 por barril, diante da expectativa de um acordo para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã.
O movimento ganhou força após a vitória dos democratas nas eleições legislativas americanas, resultado que aumentou a pressão política sobre o presidente Donald Trump para interromper o conflito.
O barril do Brent, referência internacional para os preços da commodity, encerrou o dia cotado a US$ 94,62, queda de 8,7%. Foi o menor valor em dois meses. Desde o fechamento da semana passada, a desvalorização acumulada supera 19%.
Nos Estados Unidos, o petróleo do tipo WTI recuou 8,3%, para aproximadamente US$ 88,12 por barril. Na semana, a perda acumulada se aproxima de 15%.
A queda reflete a avaliação de investidores de que o resultado eleitoral poderá acelerar as negociações entre Washington e Teerã.
A guerra provocou interrupções no transporte marítimo e reduziu as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, elevando os custos de energia em diferentes países.
O vice-presidente americano, JD Vance, atribuiu a derrota republicana nas eleições de terça-feira (3) à insatisfação dos eleitores com a continuidade do conflito.
A verdadeira razão pela qual perdemos é óbvia, escreveu Vance nas redes sociais.
Segundo ele, pesquisas com eleitores republicanos que votaram nos democratas indicaram que o desejo de encerrar a guerra foi a principal justificativa para a mudança de voto.
Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente, manifestou apoio à avaliação do vice-presidente.
Vitória democrata aumenta pressão sobre Trump
O resultado das eleições de meio de mandato alterou a correlação de forças em Washington.
Com o controle das duas casas do Congresso, os democratas passam a ter mais instrumentos para fiscalizar a condução da guerra e pressionar o governo por uma solução diplomática.
Embora o presidente mantenha poderes para determinar operações militares e aplicar sanções, o Legislativo pode influenciar a liberação de recursos, realizar investigações e questionar decisões da administração.
Chuck Schumer, líder democrata no Senado, afirmou que sua nova maioria trabalhará com parlamentares republicanos para buscar o encerramento do conflito.
A possibilidade de uma mudança na estratégia militar também ganhou força com informações sobre divergências dentro do governo.
Trump teria consultado assessores sobre uma eventual substituição do secretário de Defesa, Pete Hegseth, um dos principais defensores da guerra.
Acordo poderia aliviar oferta de petróleo
O conflito no Oriente Médio provocou uma forte desorganização no mercado internacional de energia. As dificuldades de transporte e exportação pelo Golfo Pérsico reduziram a disponibilidade de petróleo e elevaram os custos logísticos das operações.
A perspectiva de um entendimento entre Estados Unidos e Irã levou investidores a reduzir as apostas em novas interrupções no fornecimento.
As declarações mais recentes de Trump sobre o Irã têm apresentado um tom conciliador, reduzindo a percepção de que novos ataques militares seriam iminentes.
A queda dos preços, porém, ainda depende da evolução das negociações.
Queda do petróleo também beneficia títulos públicos
A desvalorização da commodity provocou uma reação positiva no mercado internacional de títulos públicos, que vinha sofrendo com a inflação impulsionada pelos preços da energia.
No Reino Unido, o rendimento dos títulos do governo com vencimento em dez anos caiu 0,13 ponto percentual, para 5,16%. Foi a maior redução diária desde maio.
Na França, os juros dos papéis de prazo equivalente recuaram 0,16 ponto percentual, para 4,78%.
Os rendimentos dos títulos se movimentam em direção contrária aos seus preços. Quando investidores compram esses papéis, as cotações sobem e as taxas de retorno diminuem.
A queda do petróleo pode reduzir pressões sobre os preços de combustíveis, transportes e produtos industriais, o que tende a melhorar as perspectivas para a inflação.
Esse efeito, no entanto, depende da duração da baixa e de fatores como câmbio, impostos e condições de oferta em cada país.
Mercado acompanha negociações entre Washington e Teerã
A trajetória do petróleo nas próximas semanas dependerá principalmente da possibilidade de um entendimento diplomático e da recuperação das exportações da região.
A redução das tensões poderia diminuir os custos de transporte e seguros marítimos, além de facilitar o abastecimento internacional.
Por outro lado, a continuidade das restrições logísticas manteria o mercado vulnerável a novas altas, mesmo depois da queda expressiva registrada nesta quarta-feira.
O resultado das eleições americanas acrescentou um fator político à formação dos preços. Investidores passaram a considerar não apenas a situação militar no Oriente Médio, mas também a capacidade de Trump de sustentar o conflito diante de um Congresso controlado pela oposição.
Por enquanto, a expectativa de paz foi suficiente para provocar a maior mudança recente no mercado de petróleo e levar o Brent novamente para abaixo de US$ 100 por barril.
Fonte: veja.abril.com.br