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A guerra dentro do PT pela indicação de Rafael Fonteles à Fazenda

Governador do Piauí é alvo de uma campanha para assumir o ministério, mas enfrenta resistência de setores do partido que temem uma guinada fiscal

O governador do Piauí, Rafael Fonteles, tornou-se o centro de uma disputa cada vez mais aberta dentro do PT pelo comando do Ministério da Fazenda no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, duas campanhas avançam simultaneamente: uma trabalha para consolidar sua indicação, apresentando-o como uma liderança capaz de conciliar a confiança do mercado financeiro com a agenda social petista; a outra busca desgastar seu nome antes mesmo de Lula tomar uma decisão, associando-o ao risco de um ajuste fiscal excessivamente duro.

A movimentação envolve diferentes grupos do partido. Fonteles conta com simpatia de integrantes da ala de governadores e lideranças nordestinas que ganharam influência durante a campanha presidencial. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, interlocutores apontam Camilo Santana, Rui Costa e Aloizio Mercadante entre os possíveis defensores de sua indicação, embora o último tenha negado a articulação. Do outro lado, críticas ao governador passaram a circular em grupos de economistas petistas dos quais participam nomes como Guido Mantega e Paulo Nogueira Batista. A participação nesses grupos, por si só, não significa que ambos liderem a campanha contrária ao governador.

O principal argumento utilizado contra Fonteles é justamente uma de suas credenciais para o cargo: a boa receptividade de seu nome na Faria Lima. Adversários internos procuram associá-lo à possibilidade de cortes profundos nas despesas públicas, em desacordo com a orientação defendida por integrantes da ala mais desenvolvimentista do PT. O governador, por sua vez, tenta afastar essa interpretação. Em entrevistas recentes, afirmou que Lula poderá combinar responsabilidade fiscal com a expansão das políticas sociais e que os compromissos assumidos na campanha são compatíveis com o arcabouço fiscal.

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Fonteles também procura valorizar seu histórico administrativo no Piauí, onde implantou uma regra de contenção do crescimento das despesas estaduais. Na segunda-feira, 2, voltou a defender publicamente o equilíbrio das contas ao anunciar a manutenção de seu secretário estadual da Fazenda. O posicionamento reforça sua imagem de gestor preocupado com a disciplina fiscal, mas também fornece novos argumentos aos adversários internos que desconfiam de sua orientação econômica. Apesar das articulações, ele afirma não ter tratado de uma eventual nomeação diretamente com Lula.

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A disputa vai além da escolha de um ministro. Os grupos petistas sabem que o futuro titular da Fazenda terá influência decisiva sobre o desenho do ajuste fiscal, a distribuição de recursos do Orçamento e a preparação da sucessão presidencial de 2030. Lula, por enquanto, não sinalizou uma decisão definitiva e resiste a antecipar o anúncio apenas para atender à pressão do mercado financeiro. Nesse cenário, a campanha para emplacar Fonteles e a tentativa de inviabilizá-lo tendem a ganhar intensidade enquanto o presidente mantiver a escolha em aberto.

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Fonte: veja.abril.com.br

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