Nova forma de cotação entra em vigor nesta terça-feira; companhia prepara aumento de capital ligado à reestruturação financeira
As ações da Raízen começaram a ser negociadas sob o código RAIZ55 nesta terça-feira (3), em substituição ao RAIZ4, e operavam em queda. Às 14h16, os papéis recuavam 8%, com cotação de 27,60 reais para cada conjunto de 100 ações, conforme dados do Investing.com divulgados com atraso.
A mudança no código veio acompanhada de uma alteração na forma de apresentar o preço. A cotação passou a representar 100 ações, em vez de uma única unidade. Assim, os 24,50 reais exibidos na tela equivalem a 0,245 real por ação. A troca da escala, por si só, não representa valorização nem desvalorização do investimento.
Na sexta-feira (30), último pregão antes da mudança, o papel havia encerrado a sessão a 0,30 real. Na nova base de cotação, esse preço corresponde a 30 reais por 100 ações. A comparação com essa referência permite identificar a queda efetiva desta terça-feira.
O que muda com o código RAIZ55
As antigas ações preferenciais passaram a ser negociadas como preferenciais classe A, identificadas pela sigla PNA. O comunicado divulgado pela companhia em 26 de outubro estabelece fator de cotação e lote padrão de negociação de 100 ações. Quantidades inferiores ao lote continuam sendo negociadas no mercado fracionário.
Embora tenham o mesmo número, fator de cotação e lote padrão cumprem funções diferentes. O primeiro indica a quantidade de ações à qual o preço divulgado se refere. O segundo estabelece a quantidade de papéis que compõe o lote usado nas negociações do mercado padrão.
Para o acionista, a alteração do fator não reduz nem aumenta a quantidade de ações na carteira. Um investidor com 1.000 papéis continua com 1.000 papéis. O valor de mercado dessa posição segue sujeito às oscilações da bolsa.
Alterando apenas a forma de expressão do preço, informa a Raízen no comunicado sobre o alcance da mudança no fator de cotação.
Queda ocorre durante reestruturação da empresa
A estreia do novo código ocorre durante a implementação da recuperação extrajudicial da Raízen, cujo plano foi homologado pela Justiça em julho. A reestruturação inclui a conversão de dívidas em ações e medidas de capitalização.
O aumento de capital é uma operação distinta da mudança no fator de cotação. Enquanto o fator altera a apresentação do preço, a emissão de novos papéis amplia a quantidade de ações da companhia e pode reduzir a participação proporcional dos acionistas que não acompanharem a operação.
O comunicado de 26 de outubro apresenta uma proposta de aumento de capital entre 3,5 bilhões e 39,8 bilhões de reais. A estrutura prevê a emissão de ações ordinárias, preferenciais classe B e units, certificados que reúnem uma ação ordinária e uma preferencial classe A.
No cronograma indicativo divulgado pela empresa, a data de corte para ter direito de preferência na subscrição é 6 de novembro. O período para exercer esse direito está previsto entre 9 de novembro e 8 de dezembro. As datas estão sujeitas a alterações.
Fonte: veja.abril.com.br