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Eleição de meio de mandato é teste de força da Flórida como reduto republicano de Trump

Democratas chegam à eleição animados por série de vitórias em eleições suplementares no último ano

Outrora um dos swing states, aqueles estados onde o pêndulo político se alterna a cada eleição, a Flórida é republicana há tempos: o partido ocupa o governo estadual há mais de 30 anos e a Assembleia Legislativa há ainda mais tempo. Há múltiplos indícios, no entanto, de que a disputa eleitoral na eleição de meio de mandato, nesta terça-feira, 3, pode ser mais acirrada do que o pensado, testando o domínio do presidente Donald Trump sobre seu reduto conservador.

O candidato democrata ao governo da Flórida, David Jolly, ganhou um impulso recente, segundo pesquisas, e está apenas 2 pontos percentuais atrás do republicano Byron Donalds, endossado por Trump e pelo governador Ron DeSantis, que há quatro anos conseguiu se manter no cargo com quase 20 pontos percentuais de vantagem e vê com preocupação a queda de desempenho do partido.

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Jolly, um ex-congressista republicano de Tampa, mudou de partido e fez campanha como um centrista pronto para levar o estado além de anos de intensas guerras culturais e polarizadoras um movimento que agrada os 3,3 milhões de eleitores independentes, que tendem a favorecer os democratas, segundo a pesquisa mais recente do Laboratório de Pesquisa de Opinião Pública da Universidade do Norte da Flórida.

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Os resultados indicarão se a impopularidade de Trump, que tem prejudicado os republicanos em todo os EUA, se estenderá ao seu estado natal adotivo. Os democratas chegam à eleição animados por uma série de vitórias em eleições suplementares no último ano, de Miami ao reduto eleitoral de Trump em Palm Beach.

Parte dessa mudança na Flórida segue a desilusão, segundo especialistas e dados, do eleitorado latino não por maior entusiasmo com os democratas, mas por insatisfação com o status quo.

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No que diz respeito às eleições, o resumo é descontentamento, não entusiasmo, diz Clarissa Martínez de Castro, vice-presidente da Iniciativa de Voto Latino da organização sem fins lucrativos UnidosUS, citando uma pesquisa feita por sua organização.

Embora Trump, claro, não esteja na cédula eleitoral, os eleitores usam as eleições de meio de mandato para avaliar o presidente, e um resultado impopular prejudica os candidatos de seu partido. Uma pesquisa interna vista pelo site Politico mostra que a corrida pelo Senado está se acirrando e dentro da margem de erro, com 47% para a deputada estadual Angie Nixon, democrata, e 49% para a republicana Ashley Moody, que entrou no Senado em 2025 quando Marco Rubio renunciou para se tornar secretário de Estado americano sob Trump.

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+ No dia da eleição, Trump defende políticas impopulares que podem ter custado controle do Congresso 

Quanto desse descontentamento se traduzirá em eleitores mudando de partido na hora da votação é incerto, mas um quinto dos entrevistados pela UnidosUS que apoiaram Trump em 2024 disseram que, se pudessem voltar atrás, não o fariam. Há dois anos, justamente por causa dos latinos, o presidente se tornou o primeiro candidato republicano a vencer em Miami (a segunda cidade mais populosa da Flórida) desde George H.W. Bush, em 1988.

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“Trump não olha para os trabalhadores e para quem votou nele. Eu vou ao mercado e está tudo mais caro, acho que é preciso mudar muitas coisas. Minha filha me convenceu a votar nos democratas desta vez, diz Rolando Martínez, aposentado de 72 anos e morador de Miami.

Assim como para todos os outros grupos de eleitores, a principal preocupação é o bolso. Na pesquisa Univision/YouGov de outubro, 70% dos entrevistados desaprovaram a forma como Trump lidou com o custo de vida, e 40% disseram que suas finanças domésticas estavam um pouco ou muito piores do que um ano atrás.

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Na disputa à Câmara dos Deputados pela região de Miami, por exemplo, a deputada republicana Maria Elvira Salazar tem uma vantagem apertada em um distrito onde ela venceu pela última vez com folga de 21 pontos. Em um anúncio publicitário recente, a própria candidata afirmou que os mesmos eleitores latinos que ajudaram a eleger Trump à Casa Branca “agora se sentem traídos”.

O anúncio de Salazar reflete a crescente indignação entre os eleitores hispânicos, cujas vidas e comunidades foram afetadas pela repressão do governo Trump contra as comunidades imigrantes. Quando sindicatos de Miami bateram em 320 mil portas entre março e junho e perguntaram aos eleitores como se sentiam em relação à imigração, 58% disseram estar decepcionados e 19% disseram estar com raiva.

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Fonte: veja.abril.com.br

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