Índice saltou 7,7% e superou os 206 mil pontos; analista ainda vê espaço para valorização, mas alerta para risco de correção no curto prazo
Depois de uma alta de 7,7% em apenas um pregão, ainda há espaço para investir na Bolsa brasileira? A disparada do Ibovespa nesta segunda-feira, 5, levou o índice a encerrar acima dos 206 mil pontos, em um novo recorde de fechamento e na maior valorização diária desde março de 2020. Para quem ficou de fora do movimento, a dúvida agora é se ainda existem oportunidades ou se boa parte do potencial de alta já foi incorporada aos preços.
Na avaliação de Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, a Bolsa ainda pode avançar no médio prazo, mas a entrada após um movimento tão expressivo exige mais seletividade. A continuidade da valorização, segundo ele, depende principalmente da confirmação das expectativas que provocaram o rali. A alta ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que levou investidores a reverem as expectativas para o cenário político e econômico a partir de 2027. O movimento veio acompanhado de queda superior a 4% do dólar e recuo dos juros futuros.
Segundo Uarian, parte do mercado passou a incorporar aos preços a possibilidade de uma política fiscal mais restritiva e de avanço de reformas no próximo governo. A redução do prêmio de risco, caso se mantenha, também pode favorecer a perspectiva de juros menores e beneficiar principalmente empresas mais dependentes da economia doméstica.
Onde ainda podem estar as oportunidades
Mesmo depois da disparada, Uarian considera que alguns segmentos podem continuar se beneficiando caso o cenário de queda dos juros e melhora das expectativas se confirme. Entre eles estão bancos e instituições financeiras, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao consumo doméstico, que estiveram entre os destaques da sessão anterior.
Infraestrutura e companhias com histórico consistente de geração de caixa também aparecem entre as oportunidades citadas pelo analista. A lógica é que empresas mais expostas à atividade econômica brasileira podem se beneficiar de condições financeiras mais favoráveis caso os juros continuem recuando.
O cenário é diferente para companhias exportadoras e com receitas fortemente dolarizadas. A valorização do real reduz sua atratividade relativa, segundo Uarian, e pode manter parte dessas empresas sob maior pressão no curto prazo.
A forte valorização, no entanto, torna a entrada na Bolsa mais delicada. Parte das expectativas positivas que sustentaram o rali já foi incorporada aos preços, aumentando a possibilidade de realização de lucros e de oscilações mais intensas nas próximas semanas. O investidor que optar por aumentar exposição agora deve privilegiar horizonte mais longo, diversificação e disciplina de alocação, evitando perseguir o rali de curto prazo, afirma Uarian.
O segundo turno das eleições é um dos principais pontos de incerteza. Mudanças nas expectativas políticas, propostas econômicas diferentes das antecipadas pelos investidores ou uma piora do cenário internacional podem provocar correções rápidas nos ativos.
Por isso, para Uarian, a disparada de segunda-feira não significa necessariamente que todo o potencial de valorização da Bolsa tenha acabado, mas reduziu parte do prêmio que existia anteriormente. A Bolsa brasileira não parece ter esgotado todo o potencial de valorização se o cenário político e fiscal evoluir de forma favorável, mas o momento exige seletividade e consciência de que o prêmio de risco já diminuiu de forma significativa, afirma.
Fonte: veja.abril.com.br