A diplomacia à mesa: Ditados antigos chineses revelam princípios de governança, economia e relações com o Brasil
“Foi encerrada com grande êxito a exposição Sabores da tradição: história da alimentação na China antiga, organizada conjuntamente pelo Museu Nacional da China e pelo Museu Histórico Nacional do Brasil, no último dia 11. Como um dos projetos de destaque do Ano Cultural China-Brasil, a exposição, aberta ao público desde 26 de junho, recebeu dezenas de milhares de visitantes. Muitos amigos brasileiros destacaram que a exposição não apenas apresentou a longa história e a riqueza da cultura alimentar chinesa, mas também lhes permitiu aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura do país.
A alimentação chinesa não carrega apenas sabores, mas também as tradições culturais e os valores cultivados pela civilização chinesa ao longo de sua história. Gostaria de compartilhar com os leitores três antigos ditados chineses relacionados à alimentação, na esperança de que, por meio da cultura alimentar da China antiga, possam também vislumbrar alguns dos princípios que orientam a governança da China contemporânea.
O primeiro ditado é: Governar um grande país é como cozinhar um peixe pequeno. A ideia é: ao preparar um peixe pequeno, não se deve virá-lo repetidamente; é preciso dosar adequadamente os temperos e controlar o fogo. Caso contrário, o peixe pode se desfazer ou queimar, ficar salgado demais ou sem sabor. Os antigos chineses utilizavam essa imagem para ilustrar que, ao governar um grande país, é preciso seguir os padrões objetivos e estar atento às necessidades e à vontade do povo, evitando mudanças constantes nas políticas e decisões.
Sempre enraizado no povo, o Partido Comunista da China tem acompanhado as tendências de nosso tempo, assumido a iniciativa estratégica e planejado o desenvolvimento nacional por meio de 15 Planos Quinquenais, assegurando a continuidade das políticas nacionais e a estabilidade do desenvolvimento de longo prazo. Unindo e liderando o povo chinês em uma luta contínua, o Partido conduziu a China a se tornar a segunda maior economia do mundo, a maior potência manufatureira, o maior país no comércio de mercadorias e o segundo maior mercado consumidor de bens. A China construiu os maiores sistemas do mundo em termos de educação, seguridade social, saúde e habitação urbana subsidiada, e é um dos países mais seguros do mundo.
As experiências do Partido Comunista da China na governança do país se manifestam justamente nas vantagens institucionais de colocar o povo no centro, promover uma governança baseada em princípios científicos e conduzir a administração do país de forma consistente e perseverante. Isso permite à China, diante de diversos riscos e desafios, manter uma forte estabilidade estratégica e uma extraordinária vitalidade.
Este ano, marca o início da implementação do 15º Plano Quinquenal. No primeiro semestre, a economia chinesa cresceu 4,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, figurando entre as principais economias do mundo em termos de crescimento e demonstrando forte resiliência e grande vitalidade. As novas forças produtivas de qualidade ganharam cada vez mais força e impulso, com a inovação tecnológica liderando a transformação e a modernização industrial. A inteligência artificial, os medicamentos inovadores e os robôs estão se tornando novos cartões-postais da Manufatura Inteligente da China.
A China continua ampliando a abertura de alto nível ao exterior, criando plataformas de abertura e cooperação, como a Exposição Internacional de Importação e a Feira Internacional de Comércio de Serviços, e implementando políticas unilaterais de isenção de visto para cidadãos de 50 países, incluindo o Brasil. Uma China dinâmica, confiante e aberta continuará a gerar amplas oportunidades para o mundo por meio de seu próprio desenvolvimento de alta qualidade.
O segundo ditado antigo é: O ding se sustenta sobre três pernas e harmoniza os cinco sabores. O ding é um antigo utensílio chinês para cozinhar que se apoia sobre três pernas para se manter firme e estável. Os cinco sabores referem-se ao azedo, doce, amargo, picante e salgado. É por meio da convivência harmoniosa de diferentes sabores que se alcança um prato verdadeiramente saboroso.
Essa sabedoria dos antigos chineses também nos revela um princípio fundamental para as relações internacionais e a governança global: o mundo precisa de uma multipolaridade igualitária e ordenada. Todos os países, grandes ou pequenos, fortes ou fracos, ricos ou pobres, devem ter voz em condições de igualdade e o direito de escolher de forma independente seu próprio caminho de desenvolvimento. As civilizações humanas são ricas e diversificadas. É por meio do intercâmbio e da aprendizagem mútua entre os países que podemos promover melhor o progresso da sociedade humana e preservar a paz mundial. A China extrai sabedoria e força da excelente cultura tradicional chinesa e, a partir dela, propôs a Iniciativa de Desenvolvimento Global, a Iniciativa de Segurança Global, a Iniciativa de Civilização Global e a Iniciativa de Governança Global, oferecendo, em diferentes dimensões, soluções chinesas para o desenvolvimento e a governança globais.
A China mantém seu compromisso com a abertura e a cooperação. É o principal parceiro comercial de mais de 160 países e regiões e promove a construção conjunta da Iniciativa Cinturão e Rota com mais de 150 países. Juntamente com os países da América Latina e do Caribe, implementamos os Cinco Programas de solidariedade, desenvolvimento, civilização, paz e conectividade entre os povos. No âmbito da Iniciativa de Desenvolvimento Global, implementamos mais de 1.800 projetos de cooperação e oferecemos formação a mais de 200 mil pessoas, trazendo benefícios concretos para cada vez mais países e povos.
A China mantém seu compromisso com a equidade e a justiça, defendendo com firmeza os interesses dos países do Sul Global. Promovemos a histórica expansão do BRICS e iniciamos a criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, ajudando os países do Sul Global a aproveitar as novas oportunidades de desenvolvimento e governança da inteligência artificial e a avançar juntos rumo à modernização.
A terceira expressão antiga chinesa é: Quando o vinho encontra um amigo de verdade, mil taças nunca são demais. Esta frase expressa a sintonia perfeita entre amigos: quando mentes e corações afinados se encontram para brindar e conversar, o tempo voa e o desejo de prolongar a conversa é sempre infinito. A China e o Brasil são justamente esses amigos de verdade, unidos pelo respeito mútuo e pelo apoio recíproco. Sob a orientação estratégica dos dois chefes de Estado, as relações sino-brasileiras deram um salto histórico, passando de uma parceria estratégica abrangente para uma Comunidade com um Futuro Compartilhado China-Brasil. A sinergia entre as estratégias de desenvolvimento dos dois países tem avançado de forma positiva, desempenhando um papel importante na promoção do desenvolvimento de ambos os países e do bem-estar de seus povos. A China tem sido, por 17 anos consecutivos, o maior parceiro comercial do Brasil, e o Brasil tornou-se um dos destinos mais importantes dos investimentos chineses no exterior.
Este ano marca o Ano Cultural China-Brasil, durante o qual os dois países realizaram uma série de atividades culturais diversificadas e enriquecedoras, dando uma vitalidade sem precedentes aos intercâmbios entre os povos.
China e Brasil mantêm posições convergentes em uma série de questões importantes relacionadas à paz e ao desenvolvimento mundiais e preservam uma estreita coordenação estratégica. A dimensão global, o caráter estratégico e a perspectiva de longo prazo das relações sino-brasileiras tornam-se cada vez mais evidentes, fazendo delas um modelo de unidade e cooperação entre os grandes países do Sul Global. A China atribui grande importância à posição internacional e à importante influência do Brasil, e vê com satisfação o Brasil desempenhar um papel cada vez maior nos assuntos internacionais.
A harmonia dos sabores resulta na perfeição do banquete; a sintonia entre nossos países consolida a força da nossa parceria. Com esse espírito, o Consulado-Geral da China no Rio de Janeiro está disposto a continuar trabalhando juntamente com amigos de todos os setores de ambos os países, tomando o Ano Cultural China-Brasil como oportunidade para promover os intercâmbios e a cooperação em todos os níveis e setores de nossa jurisdição, aprofundando e ampliando a cooperação sino-brasileira, fortalecendo a aproximação entre os nossos povos e contribuindo ainda mais para a construção da Comunidade com um Futuro Compartilhado China-Brasil.”
Fonte: veja.abril.com.br