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Autoexílio de Flávio Bolsonaro cria oportunidade para a direita limpinha

Saída de cena do senador cria condições para que setores mais moderados da oposição deixem a órbita do ex-presidente

Após conquistar a Presidência da República em 2018, Jair Bolsonaro se tornou o líder da direta no Brasil. Desde então, o capitão e seus filhos cobram uma fidelidade canina dos aliados e não toleram qualquer suspeita de traição. A regra é clara: as ordens do grupo têm de ser seguidas sem contestação.

Foi por isso que poucas vozes se levantaram contra a decisão do ex-presidente de indicar seu rebento mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, para disputar com Lula a eleição deste ano. Preferido do Centrão e de setores do mercado para concorrer ao Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, não só aceitou a escolha do padrinho político como ajudou na campanha do Zero Um.

Como se sabe, Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno com uma vantagem de 2,2 milhões de voto para Lula, que, no segundo turno, protagonizou uma virada história e conseguiu se reeleger. Apesar da derrota, o senador amealhou quase 60 milhões de votos. Credenciou-se, assim, para liderar a oposição — em nome dele, dos irmãos dele e do pai dele.

Mesmo com o revés, o clã tinha condições de preservar a sua posição de liderança. Agora, a situação mudou. Ao trocar o Brasil pelos Estados Unidos, como fez seu irmão Eduardo Bolsonaro, o Zero Um na prática abriu mão de comandar a oposição. Ele até alega que cumprirá a missão lá do exterior, mas faltam interessados em ser liderados à distância por ele, especialmente depois de sua saída do país às escondidas e da carta de teor golpista que divulgou.

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Nela, Flávio Bolsonaro afirma que houve fraude na votação e, no auge da sandice, se declara presidente eleito do Brasil. Em outra versão da carta, ele mudou a redação e afirmou ser líder do Brasil. Como não há vácuo no reino do poder, o próprio Tarcísio de Freitas, que pagou sua dívida de lealdade com Jair Bolsonaro ao apoiar o primogênito dele este ano, anunciou que pode disputar a Presidência em 2030.

O governador reconheceu o resultado das urnas e se apresentou para chefiar a oposição num vídeo em que diz: “A eleição passou, o Brasil continua”. Outros aliados do ex-presidente também admitiram a derrota e a lisura do processo eleitoral. Flávio Bolsonaro está cada vez mais isolado. Seu pai continua preso. Enquanto isso, setores menos radicalizados começam a se reorganizar.

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A eleição presidencial mostrou que o antibolsonarismo supera o antipetismo. A fuga de Flávio Bolsonaro, logo em seguida à votação, abriu uma oportunidade de ouro para que a direita mais democrática — tachada jocosamente de “limpinha” pelo senador eleito Carlos Bolsonaro — ganhe vida própria e volte ao centro do tablado. A disputa na oposição está só começando, mas será renhida.

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Fonte: veja.abril.com.br

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