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Como a imprensa internacional repercutiu o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

'Le Monde', 'El País' e jornais argentinos ressaltaram clima 'caótico' e o tom hostil do primeiro confronto entre os candidatos no segundo turno

O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band no domingo, 18, repercutiu na imprensa internacional pelo tom agressivo, marcado por provocações e acusações mútuas. Jornais da França, da Espanha e da Argentina destacaram o clima de confronto entre os candidatos e a escassez de propostas e discussões sobre políticas públicas a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais.

A versão em inglês do jornal francês Le Monde descreveu o encontro como um embate caótico e afirmou que a troca de insultos e acusações de corrupção sintetizou o clima de uma campanha acirrada em um país profundamente polarizado. O periódico também chamou a atenção para a estratégia de Flávio de caminhar repetidamente atrás de Lula enquanto o presidente falava, com gestos e sorrisos irônicos diante das câmeras. Lula, por sua vez, teve momentos de irritação e pediu aos espectadores que recorressem ao Google para verificar as declarações do adversário.

O jornal alemão Frankfurter Allgemeine falou em uma troca de “baixo nível” e lamentou que os dois candidatos tenham dedicado boa parte do confronto a acusações mútuas de corrupção, em vez de discutir propostas de governo. Também apontou que Flávio evitou dar respostas claras à maioria das perguntas de Lula.

“Durante duas horas, os candidatos falaram sem realmente dialogar entre si e trocaram acusações e provocações incessantes. O que deveria ser uma troca aberta de ideias lembrou, em alguns momentos, espetáculos de luta encenada”, escreveu o jornal.

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Na Espanha, o El País resumiu o confronto como um embate entre um Lula tecnocrata diante de um Bolsonaro provocador. Segundo o jornal, o senador partiu para o ataque desde o início, enquanto o presidente alternou explicações sobre a atuação de seus governos com questionamentos ao rival. A publicação também destacou as interrupções e os gestos de Flávio, que desviavam a atenção para suas reações enquanto Lula falava.

“Bolsonaro tem argumentos pouco sofisticados, embora seja habilidoso em lançar frases de efeito. Lula, por sua vez, que precisa convencer parte dos 33 milhões de abstencionistas, perdeu-se várias vezes em temas complexos para a maioria da população, que seu adversário omitiu ou simplificou”, disse a reportagem.

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O italiano Corriere della Sera criticou Flávio pelos “golpes baixos” e por explorar a frustração da “nova classe média”, enquanto Lula “perdeu minutos preciosos explicando os sucessos do PT e de seus governos e teve dificuldades para rebater as acusações de corrupção envolvendo seu filho, Lulinha”.

Na Argentina, o Clarín definiu o encontro como um debate marcado por fortes trocas e provocações. O jornal ressaltou a tentativa de Lula de associar o adversário aos interesses dos Estados Unidos e ao modelo econômico do presidente argentino Javier Milei. Ao questionar Flávio sobre a situação econômica da Argentina, o petista ironizou: Já pediu emprestada a motosserra de Milei?, em referência ao símbolo dos cortes de gastos promovidos pelo governo argentino.

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O também argentino La Nación destacou que o embate teve pouquíssimas propostas e pouco debate sobre políticas públicas. Na avaliação do jornal, os candidatos recorreram a acusações mútuas e provocações com o objetivo de ampliar a rejeição ao adversário. A publicação observou ainda que o encontro rendeu trechos para as redes sociais dos dois lados.

A rede catari Al Jazeera também destacou os ataques pessoais entre os candidatos. A reportagem lembrou que Lula chamou Flávio de mentiroso contumaz e bandido, além de acusá-lo de ser miliciano, por ter ligações com grupos paramilitares do Rio de Janeiro. Flávio, por sua vez, ironizou o presidente e fez referências a suspeitas de corrupção envolvendo seu governo e familiares.

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Fonte: veja.abril.com.br

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