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Denúncias de feminicídio sobem 13,2% em MG entre janeiro e setembro, na comparação com 2025

O número de denúncias de feminicídio realizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais, de janeiro a setembro deste ano, aumentou em 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Dados informados pelo órgão estadual a pedido da CBN revelam que, em 2026, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu 325 denúncias pelo crime de feminicídio, considerando casos consumados e tentativas. No mesmo período de 2025, foram 287. Lembrando que, diferentemente do registro policial, que ma


O número de denúncias de feminicídio realizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais, de janeiro a setembro deste ano, aumentou em 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Dados informados pelo órgão estadual a pedido da CBN revelam que, em 2026, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu 325 denúncias pelo crime de feminicídio, considerando casos consumados e tentativas. No mesmo período de 2025, foram 287. Lembrando que, diferentemente do registro policial, que marca o início da investigação, a denúncia do Ministério Público é a acusação formal levada à Justiça. A promotora Denise Guerzoni, Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, considera que houve um avanço na legislação a favor das vítimas, como por exemplo, o acréscimo de novas ferramentas de proteção com base na Lei Maria da Penha, determinadas em abril deste ano. Porém, apesar desses avanços, Denise Guerzoni menciona que de 83 a 90% das mulheres vítimas de violência não havia ingressado com pedidos de medidas protetivas, nos últimos dois anos. Para a promotora, há vários aspectos que influenciam nos registros formais e denúncias de casos de violência contra a mulher. "Muitas ainda não acreditavam no sistema. Muitas têm medo das consequências. O crime contra a mulher é complexo porque ele não é como um crime de roubo em que você não conhece aquele que te rouba. Normalmente, tem uma relação íntima de afeto com aquela pessoa: tem filhos, ou é o pai ou é o sobrinho ou é o marido ou é o ex-companheiro... E isso nubla o comportamento e desencoraja [a mulher]. A violência contra a mulher tem uma característica que é a gente chama de espiral da violência. ' Segundo os dados do Ministério Público de Minas Gerais, as comarcas onde o órgão ofereceu mais denúncias de feminicídio foram em Belo Horizonte, Governador Valadares, Uberlândia, Ipatinga e Contagem, totalizando 80 registros. De acordo com a promotora Denise Guerzoni, os casos de feminicídio aumentam em 30% às quartas e aos fins de semana, quando são realizadas partidas de futebol. A promotora explica que a mulher sofre violência nessas ocasiões porque o homem quer demonstrar poder. "É a frustração de quando se perde um pênalti e quando se perde um jogo, a agressividade é transportada para a pessoa que não é entendida como uma sujeita de direitos, mas como um objeto, como uma propriedade daquele homem. Então, ela é a destinatária da ira e da raiva porque, em uma situação de dominação e poder, ele trata aquela mulher como um objeto e não como uma sujeita de direitos. Então, ele transfere aquela frustração para aquilo que ele entende como dele, que seria aquela mulher." Denise Guerzoni também mencionou outro grande desafio na redução da violência contra a mulher: o ambiente digital, onde ideais de desvalorização do público feminino e incentivo à violência contra mulher, inclusive direcionado a crianças e adolescentes, acontecem sem punição. A promotora mencionou o fenômeno da "misoginia em rede", onde canais divulgam ódio e desprezo contra as mulheres. Ela defende que haja punições no meio digital, como existe no ambiente físico. Segundo o Observatório de Segurança Pública, de janeiro a setembro deste ano, Minas Gerais registrou 127.939 vítimas de violência doméstica e 227 casos de tentativa de feminicídio e feminicídio.

Fonte: cbn.globo.com

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