Pular para o conteúdo
No ar
Ao vivo agora 3CLIMAS CULTURA RÁDIO JORNAL TV
Tocando agora 3CLIMAS CULTURA ao vivo
Fale no WhatsApp

Entenda como funciona a candidatura para sediar a Libertadores Feminina

Em contato com a reportagem, entidades detalharam processo de candidatura para sediar o torneio

A escolha de Quito, no Equador, como sede da Libertadores Feminina de 2026 levantou questionamentos sobre os critérios utilizados pela Conmebol para definir o país anfitrião da principal competição de clubes do futebol feminino sul-americano. Além das discussões sobre a estrutura disponível para receber o torneio, a presença de público nos estádios e as dificuldades logísticas enfrentadas por clubes e torcedores, uma dúvida ganhou espaço: afinal, quem decide onde será realizada a Libertadores Feminina? 

Em respostas à reportagem, a Conmebol e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) explicaram como funciona o processo de candidatura para sediar competições organizadas pela entidade sul-americana. Vale lembrar que no próximo ano estarão na Libertadores Feminina três clubes brasileiros: São Paulo, Corinthians e Cruzeiro.

O Brasil não recebe a Libertadores Feminina desde 2018, quando Manaus, no Amazonas, sediou a competição, que terminou com o Atlético Huila, da Colômbia, como campeão. Antes disso, o país havia sido sede de sete das nove primeiras edições do torneio, entre 2009 e 2017, ficando de fora apenas em 2015 e 2016. Ao todo, o Brasil recebeu a competição oito vezes, sendo a última há oito anos. Apesar do protagonismo dos clubes brasileiros na Libertadores Feminina, o torneio não voltou a ser disputado em território nacional desde então.

Como funciona a escolha da sede?

De acordo com a Conmebol, cabe às associações-membro apresentar candidaturas para receber as competições organizadas pela entidade. Atualmente, são dez federações nacionais filiadas, entre elas a CBF, responsável por representar o Brasil nesse processo. “As associações-membro postulam para receber os eventos da CONMEBOL, e estes eventos têm de ser atendidos em seus requisitos mínimos”, explicou.

Continua após a publicidade

No Brasil, a CBF esclareceu que o processo começa quando a Conmebol consulta suas dez associações-membro para identificar quais países têm interesse em sediar determinada competição. A partir disso, a confederação brasileira procura as federações estaduais, compartilha os requisitos básicos exigidos e verifica a possibilidade de apresentação de uma candidatura.

O caminho também pode acontecer no sentido inverso: uma federação estadual pode procurar a CBF para manifestar interesse em receber um torneio, inclusive após conversar com clubes de sua região. Entretanto, mesmo quando a iniciativa parte de um clube, a solicitação precisa passar pela federação correspondente. “Ou seja, o clube pode demonstrar interesse, mas o pleito deve ser feito via federação”, esclareceu a CBF. Assim, a manifestação de interesse de um clube ou de uma cidade não representa, por si só, uma candidatura formal à Conmebol. É necessário que a proposta seja encaminhada pelos canais institucionais e atenda às condições estabelecidas para a realização da competição.

Continua após a publicidade

A Conmebol também informou que estabelece requisitos mínimos para que um país possa receber suas competições, embora não tenha detalhado à reportagem quais exigências específicas são consideradas na escolha da sede da Libertadores Feminina. Os regulamentos de outros torneios organizados pela entidade incluem critérios relacionados à infraestrutura dos estádios, segurança, condições de transmissão e operação das partidas.

Entenda como funciona a candidatura para sediar a Libertadores Feminina
O Cruzeiro é campeão da Libertadores Feminina 2026. (Staff Images Woman/CONMEBOL)Staff Images Woman/CONMEBOL/Divulgação
Continua após a publicidade

Brasil apresenta candidaturas para torneios da Conmebol

A CBF informou que já manifestou interesse em receber outras competições internacionais nos próximos anos, entre elas a Copa América de Futsal Feminino e a Copa América de Beach Soccer de 2027, além da Libertadores de Beach Soccer e da Copa América de Futsal de 2028.

O Brasil também recebeu diferentes torneios organizados pela Conmebol recentemente. Em 2025, Vila Velha sediou a Libertadores de Beach Soccer, enquanto Jaraguá do Sul recebeu a final da Liga Evolución de Futsal.

Já em 2026, o país foi palco da Liga Evolución Zona Norte de Futsal, em Xanxerê, da Finalíssima de Futsal, em Niterói, da Libertadores de Beach Soccer, em Santos, e da Libertadores de Futsal Masculino, em Carlos Barbosa. Os exemplos demonstram que o Brasil participa do processo de candidatura para diferentes competições da entidade, embora as manifestações de interesse citadas pela CBF não incluam uma candidatura à Libertadores Feminina.

Continua após a publicidade

História da Libertadores

A Libertadores Feminina foi criada pela Conmebol em 2009, com o objetivo de reunir os principais clubes do futebol feminino da América do Sul e estabelecer uma competição continental nos moldes do torneio masculino. A primeira edição foi realizada no Brasil, na cidade de Santos, com a participação de dez equipes, uma de cada associação nacional filiada à entidade. O Santos, que contava com Marta e Cristiane, conquistou o título inaugural ao vencer a Universidad Autónoma, do Paraguai, por 9 a 0 na final. Desde então, a competição passou a ser disputada anualmente, consolidando-se como o principal torneio de clubes da modalidade no continente, embora ainda enfrente desafios relacionados ao calendário, à estrutura e à visibilidade.

A primeira edição também estabeleceu uma característica mantida até hoje: a realização de todos os jogos em um único país-sede, diferentemente da Libertadores masculina, disputada em partidas com mando dos clubes participantes.

Continua após a publicidade

Jogadoras de futebol feminino em campo. Uma atleta de camisa branca e shorts brancos, com cabelo preso, grita com a boca aberta e braços flexionados. Outra jogadora de camisa branca e shorts brancos, com cabelo preso, observa. Uma terceira, de camisa azul e shorts pretos, está sentada no chão. Uma goleira de camisa verde e luvas brancas está deitada de costas no gramado. Cadeiras azuis vazias ao fundo
Bia Zaneratto marcou dois gols da vitória do Palmeiras diante do Belgrano, por 3 a 1, na Libertadores Feminina.Staff Images/Conmebol/Divulgação

Escolha de Quito gerou questionamentos

A edição de 2026 da Libertadores Feminina foi realizada em Quito, entre 15 e 31 de outubro, com partidas nos estádios Banco Guayaquil e Rodrigo Paz Delgado. Embora o Equador tenha sido anunciado como país-sede em fevereiro, a confirmação da cidade aconteceu apenas em 1º de setembro, 44 dias antes do início da competição.

O intervalo reduzido entre a definição da cidade e a estreia dificultou o planejamento de viagens, especialmente para torcedores interessados em acompanhar suas equipes. A ausência de voos diretos entre o Brasil e Quito, os custos de hospedagem e a utilização do dólar como moeda oficial do Equador também estiveram entre os obstáculos.

A presença limitada de torcedores em parte das partidas e a pouca divulgação do torneio pela cidade reforçaram as discussões sobre a organização da competição e a necessidade de ampliar sua visibilidade.

Três jogadoras de futebol feminino do Corinthians, vestindo uniformes brancos e pretos, se abraçam no campo de grama verde, celebrando. Uma delas, de cabelo preso, sorri para a câmera. Cadeiras azuis vazias de um estádio ao fundo
Corinthians vence Santa Fe por 3 a 1 na terceira rodada do Libertadores Feminina. (Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians)Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians/Divulgação
Publicidade

Fonte: veja.abril.com.br

Compartilhar