A quatro dias do segundo turno, grupo alertou para possíveis diferenças no tratamento dado às campanhas eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro
Especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) questionaram nesta quarta-feira, 21, a atuação da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, nas eleições presidenciais brasileiras.
Em comunicado, o grupo pediu que a companhia investigue possíveis diferenças no tratamento dado às campanhas eleitorais por seus sistemas de inteligência artificial, recomendação de conteúdos e moderação de publicações. O alerta ocorre quatro dias antes do segundo turno, disputado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política. Quando a expressão política parecer estar sendo restringida de maneira desproporcional, as plataformas devem explicar o motivo, corrigir impactos desiguais e garantir recursos efetivos”, afirmam os especialistas.
A declaração foi motivada por denúncias de restrições à circulação de conteúdos políticos nas plataformas digitais. Entre os episódios mencionados estão a suspensão temporária de contas de campanha, alterações no alcance e na contagem de visualizações de publicações, além de diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial e nos resultados de buscas do WhatsApp.
Os especialistas da ONU ressaltaram que as plataformas online são “atores fundamentais no debate democrático” e que restringir o alcance de determinadas contas afeta o acesso à informação e a liberdade de associação, além de comprometer as próprias eleições.
“A democracia e eleições livres e justas dependem de plataformas independentes e consistentes, bem como de um ambiente aberto e pluralista, onde as pessoas possam acessar informações, fiscalizar quem busca o poder, trocar opiniões e se organizar sem interferências arbitrárias, concluiu o grupo.
Embora o documento não identifique nominalmente os candidatos afetados, a campanha de Lula acusa a Meta de prejudicar a distribuição de suas publicações e favorecer o adversário. A big tech nega qualquer interferência deliberada na disputa e, na segunda-feira, disse ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cumpriu as ordens da Corte para tratar as campanhas de ambos os candidatos à presidência de forma igual nas redes sociais.
Uma das mudanças anunciadas pela Meta é a revisão humana dos conteúdos oficiais de campanha — em vez de ferramentas digitais analisarem o que pode ou não continuar no ar, pessoas farão esse trabalho. A gigante da tecnologia disse que uma pessoa analisará restrições em até duas horas, mas não deu detalhes sobre o tamanho da equipe de moderação, nem quem são essas pessoas.
Fonte: veja.abril.com.br