Entrada de recursos na segunda-feira foi uma das maiores do ano e levou saldo estrangeiro em outubro a R$ 12,6 bilhões
Investidores estrangeiros colocaram 10,6 bilhões de reais na Bolsa brasileira nesta semana, primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais. O forte ingresso de recursos acompanhou a disparada dos ativos brasileiros registrada na sessão, em meio à reação do mercado ao resultado das urnas.
O movimento levou o saldo de capital estrangeiro na B3 a 12,6 bilhões de reais nos primeiros pregões de outubro, segundo dados da própria Bolsa. Com isso, o mês já aparece como o terceiro melhor de 2026 em entrada líquida de recursos internacionais, atrás apenas de janeiro, quando o saldo foi de 26,5 bilhões de reais, e fevereiro, com 15,4 bilhões de reais.
No acumulado do ano, os estrangeiros já aportaram 44,6 bilhões de reais no mercado acionário brasileiro. A entrada registrada após a eleição reforçou o peso desse grupo na reação dos ativos domésticos ao resultado do primeiro turno. Na segunda-feira, o Ibovespa disparou 7,7%, enquanto o dólar caiu mais de 4%. O movimento ocorreu após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A reação dos investidores refletiu expectativas do mercado sobre uma possível mudança na condução da política econômica e, principalmente, da política fiscal após as eleições.
O desempenho veio depois de meses de oscilação no fluxo internacional. Em agosto, por exemplo, investidores estrangeiros retiraram 18,1 bilhões de reais da Bolsa brasileira. Agora, a entrada de recursos após o primeiro turno coloca novamente o comportamento do investidor internacional no centro das atenções até a votação de 25 de outubro.
Por que o estrangeiro voltou à Bolsa?
A leitura predominante entre agentes do mercado é que a reação está relacionada às expectativas para a política fiscal. Uma trajetória considerada mais controlada para as contas públicas tende a reduzir os prêmios de risco exigidos pelos investidores, pressionar os juros futuros para baixo e melhorar as perspectivas para empresas listadas na Bolsa.
A entrada de recursos continuou dando sustentação aos ativos brasileiros mesmo depois da euforia inicial. Na terça-feira, o Ibovespa recuou 0,52%, em uma realização de lucros após o salto da véspera, mas permaneceu acima dos 200 mil pontos. Em apenas quatro pregões de outubro, o índice acumulava alta de 10,46% e, no ano, avançava 27,75%.
O desafio agora é saber se o fluxo observado depois do primeiro turno terá continuidade. Além da disputa eleitoral, investidores acompanham as propostas econômicas dos candidatos, especialmente aquelas relacionadas a gastos públicos, dívida, resultado fiscal e capacidade de aprovação de medidas no Congresso.
Fonte: veja.abril.com.br