Flamengo, Corinthians, Palmeiras e outros grandes clubes da Série A retiraram casas de apostas dos uniformes; Na Série B, Vila Nova encontrou substituto
As casas de apostas desapareceram das camisas dos clubes brasileiros nesta semana, mas o futebol ainda está longe de encontrar substitutos para os milhões de reais que o setor movimentava em patrocínios diretos. Com a entrada em vigor das restrições, as equipes precisaram retirar as marcas de bets dos uniformes e passaram a adotar alternativas que vão de espaços vazios a marcas próprias e ações temporárias.
A primeira rodada do Brasileirão após a entrada em vigor da medida mostra que o mercado ainda está em fase de adaptação. Flamengo, Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro, entre outros, retiraram as marcas de apostas e ainda não têm uma substituição definitiva para o espaço principal na camisa.
Na Série A, 14 dos 20 clubes tinham uma casa de apostas como patrocinadora máster antes da medida. Em 2025, os patrocínios de bets movimentaram cerca de 1 bilhão de reais nos clubes da primeira divisão, o equivalente a 7% das receitas totais.
O Flamengo é o caso de maior impacto financeiro. O clube tinha contrato com a Betano estimado em 268 milhões de reais anuais e deixou o acordo em suspenso enquanto aguarda os desdobramentos da disputa judicial. O time passou a utilizar uniformes sem a marca da empresa, mas mantém estrutura preparada para uma eventual retomada do patrocínio caso o cenário jurídico seja alterado.
O Corinthians também retirou a Esportes da Sorte e trabalha com diferentes versões de materiais comerciais enquanto acompanha a disputa judicial. O contrato com a empresa prevê a suspensão da exposição da marca em caso de proibição e tem validade até 2029. O acordo prevê valor fixo anual de 150 milhões de reais, que pode chegar a 200 milhões de reais com metas.
Palmeiras e Cruzeiro também retiraram Sportingbet e Betnacional, respectivamente. O Palmeiras vinha avaliando alternativas para preencher o espaço principal, enquanto o Cruzeiro indicou que reavaliaria sua estratégia caso uma decisão do Supremo Tribunal Federal altere as regras.
Marcas alternativas ocupam espaço das bets
Alguns clubes encontraram soluções para não deixar completamente vazio o espaço mais valorizado da camisa. São Paulo e Fluminense, que tinham a Superbet como patrocinadora máster, passaram a utilizar a Superscore, plataforma de dados e estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo empresarial da casa de apostas. O produto reúne informações e estatísticas de futebol e, segundo a empresa, não exibe publicidade, odds ou sugestões de apostas.
No São Paulo, a utilização da Superscore foi anunciada inicialmente para a partida contra o Cruzeiro. O Fluminense também passou a utilizar a Superscore em lugar da Superbet. A mudança representa uma alternativa ao encerramento automático da relação comercial com o grupo empresarial.
O Botafogo adotou uma solução própria. Depois de retirar as referências à VBet, passou a utilizar o Camisa 7, seu programa de sócio-torcedor, no espaço principal do uniforme. O Vasco também deve recorrer ao seu programa de sócio-torcedor para substituir a Sportingbet.
No Atlético-MG, a situação foi mais definitiva. O clube encerrou o contrato com a H2Bet, que era válido até 2027, e utilizou a marca pela última vez na partida contra o Red Bull Bragantino. O Santos também já havia suspendido seu vínculo com a Novibet e já entrava em campo sem patrocinador máster antes mesmo da proibição geral.
O Internacional, que não tinha uma bet como patrocinadora máster, encontrou uma solução comercial temporária para as próximas rodadas. O clube anunciou nesta quarta-feira, 7, o retorno da Shopee ao espaço principal da camisa nos jogos contra Corinthians e Grêmio, válidos pelas rodadas 29 e 30 do Brasileirão. A parceria é pontual e inclui ações relacionadas à campanha promocional “10.10” e ao ShopeeVIP.
Contratos não desapareceram automaticamente
A retirada das marcas das camisas não significa, necessariamente, que todos os contratos entre clubes e casas de apostas tenham sido rescindidos. A medida proibiu a publicidade, o marketing e outras formas de exposição das empresas, mas parte dos acordos permanece em situação de suspensão enquanto clubes e patrocinadores acompanham os desdobramentos jurídicos da proibição das bets.
Leia mais: Associações de jogos acionam STF para derrubar medida de Lula que proibiu as bets
A indefinição no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema ocorre enquanto os clubes avaliam se vale a pena buscar imediatamente novos contratos ou aguardar uma eventual mudança no cenário. Flamengo e Corinthians, por exemplo, mantêm estruturas preparadas para uma possível retomada das marcas caso uma decisão judicial altere as regras.
Vila Nova troca bet por montadora
Enquanto os grandes clubes da Série A esperam por uma definição judicial ou procuram novos anunciantes, o Vila Nova encontrou uma alternativa concreta. O clube goiano fechou com uma concessionária da BYD, montadora chinesa, um contrato para ocupar o espaço de patrocinador máster até o fim da temporada. A empresa substituiu uma companhia do setor de apostas que anteriormente estampava a parte principal da camisa. Segundo a diretoria, o acordo com a BYD é o maior patrocínio da história do Vila Nova. O valor não foi divulgado. A nova marca estreou no uniforme no último sábado, 3, contra o Botafogo-SP.
O caso do Vila Nova é um dos primeiros exemplos de substituição direta de uma empresa de apostas por uma companhia de outro segmento depois da proibição. Para os clubes, a experiência pode servir de referência na busca por anunciantes fora do mercado de apostas, embora ainda não exista uma substituição generalizada dos contratos perdidos.
Camisas antigas ainda podem ser vendidas
A mudança nos uniformes também criou um problema de estoque para os clubes e fabricantes de camisas. Uma nota técnica do governo permitiu a comercialização de camisas produzidas antes da entrada em vigor das novas regras e que ainda estejam nos estoques de fabricantes, distribuidores, varejistas e lojas.
A autorização é limitada à venda dessas peças já existentes. Ela não permite uma nova produção de uniformes com marcas de bets, campanhas publicitárias, ativações promocionais ou novas ações associadas às empresas. Também não autoriza a utilização desses uniformes em partidas ou treinamentos.
O Flamengo havia manifestado preocupação com o risco de aproximadamente 150 mil camisas produzidas com a marca da Betano ficarem encalhadas. A autorização para vender o estoque reduz parte desse problema, embora essas peças já não correspondam ao uniforme utilizado pelos jogadores após a entrada em vigor das novas regras.
Fonte: veja.abril.com.br