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Estudo associa saúde mental de professores ao desempenho dos alunos

Especialista afirma que postura do docente gera segurança para os jovens enfrentarem desafios acadêmicos com autonomia

Dia 15 de outubro é celebrado o ‘Dia dos Professores no Brasil’, e neste mês foi divulgado um estudo que analisa as relações entre habilidades socioemocionais de professores e alunos. A análise, baseada em 186 artigos e dados de mais de 355 mil professores, identificou associações entre o bem-estar dos educadores e a motivação e o desempenho acadêmico dos estudantes. 

Os pesquisadores identificaram que a relação entre as competências socioemocionais dos professores e as dos estudantes é influenciada por diferentes fatores. Entre eles estão o nível socioeconômico dos alunos, os anos de experiência dos docentes, o método utilizado para medir essas competências e a etapa escolar dos estudantes. 

O estudo Relações entre a competência socioemocional de professores e alunos: uma revisão sistemática e metanálise multinível, foi divulgado no último dia 2 de outubro, na revista científica Springer Nature.  

O artigo também aborda como as competências socioemocionais dos professores podem se relacionar com a maneira como os estudantes lidam com as próprias emoções e com as interações em sala de aula.   

Quando há dificuldades enfrentadas pelos professores, como estresse, esgotamento emocional e sobrecarga profissional, podem afetar o comportamento e o bem-estar dos alunos.   

De modo geral, os resultados indicam que as competências socioemocionais dos professores merecem maior atenção nas pesquisas sobre o desenvolvimento dos estudantes. 

Relação professor-aluno influencia o desempenho? 

O professor e diretor do Colégio Sigma, Tiago Diana, explica que a relação entre professor e aluno influencia diretamente a maneira como o estudante se posiciona diante da aprendizagem. 

Quando o aluno percebe que o professor acredita em seu potencial, que suas dúvidas são respeitadas e que seus erros são tratados como oportunidades de aprendizagem, tende a participar mais, perguntar mais e enfrentar desafios com maior confiança. Isso não significa que uma boa relação, sozinha, garanta bons resultados, destaca o especialista.  

O diretor ainda avalia que, apesar de outros fatores, a confiança dos alunos nos profissionais ainda prevalece.  

A aprendizagem depende de diversos fatores, como a qualidade do ensino, as estratégias pedagógicas, a rotina de estudos, o contexto familiar e as condições oferecidas pela escola. Entretanto, a relação de confiança pode favorecer o engajamento e criar um ambiente mais propício à aprendizagem, disse.  

Entre os principais diferenciais nessa relação, o diretor destaca cinco. 

Eu destacaria cinco características fundamentais: altas expectativas, escuta ativa, clareza pedagógica, feedback construtivo e capacidade de reconhecer cada estudante em sua singularidade. O aluno precisa saber o que se espera dele, compreender os objetivos de sua aprendizagem e receber orientações que o ajudem a identificar seus avanços e aquilo que ainda precisa desenvolver. Não basta dizer que ele foi bem ou mal; é necessário mostrar o que conseguiu realizar, onde encontrou dificuldades e quais caminhos pode seguir para melhorar, aponta.  

Apesar disso, o aprendizado não é uniforme entre os estudantes, fazendo com que as interações sejam diferenciadas.  

Também é essencial que o professor reconheça que o desenvolvimento não acontece de maneira uniforme. Há estudantes que demonstram facilidade em determinadas áreas e precisam de mais apoio em outras. Há aqueles que precisam fortalecer a organização, a autonomia, a confiança ou o sentimento de pertencimento. Conhecer essas diferenças permite planejar intervenções mais adequadas, sem abrir mão dos objetivos de aprendizagem, indica o professor. 

Um bom professor vai além do conteúdo  

O professor Tiago Diana aponta que o domínio do conteúdo é importante, mas que um bom professor deve ir além, não é só ensinar, mas criar condições para que o outro aprenda. 

O domínio do conteúdo é indispensável, mas ser um bom professor exige compreender que ensinar não é apenas transmitir conhecimento: é criar condições para que o outro aprenda. Isso envolve escuta, empatia, sensibilidade, clareza na comunicação e capacidade de despertar a curiosidade dos estudantes. Um bom professor conhece sua disciplina, mas também procura conhecer seus alunos. Entende que cada estudante tem uma história, um ritmo, dificuldades e potencialidades. Por isso, precisa saber adaptar estratégias, estabelecer limites, oferecer devolutivas construtivas e criar desafios que estimulem o desenvolvimento, finalizou.  

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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