Após ameaça de Trump, chanceler iraniano adverte que qualquer agressão contra o país 'receberá uma resposta contundente, imediata e global'
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou nesta segunda-feira, 2, que o Irã está disposto a reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias, desde que os Estados Unidos atendam às suas condições.
A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da boa-fé do Irã, afirmou Baqaei. Se as demandas do Irã forem atendidas, será possível restaurar a segurança no Estreito de Ormuz e retomar as negociações em um prazo muito curto, acrescentou.
Teerã exige o fim das operações militares em todas as frentes, o desbloqueio de ativos no exterior, a retirada de sanções ao setor petrolífero e o encerramento do bloqueio naval americano. No domingo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi acrescentou uma nova condição às exigências do Irã em entrevista à Al Jazeera. Segundo ele, Washington deveria aceitar a nova rota acertada entre Irã e Omã para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
As exigências retomam pontos de um entendimento firmado em junho, depois de uma trégua iniciada em abril. O cessar-fogo, porém, não se sustentou, e os ataques foram retomados pouco depois.
Impasses
As negociações continuam, mas sem avanços concretos. Segundo a agência de notícias Reuters, representantes iranianos deixaram Doha — o Catar vem atuando como mediador –, no domingo, enquanto uma minuta de entendimento circula entre as partes. Uma autoridade a par das conversas afirmou que uma nova reunião deve acontecer em breve.
O presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã no domingo, durante um comício em Iowa, às vésperas das chamadas midterms, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3. O republicano disse que busca poupar vidas, mas acrescentou: Em algum momento, teremos que desferir um golpe contundente contra eles (os iranianos).
Após a ameaça de Trump, Baqaei advertiu que qualquer agressão contra a república islâmica “receberá uma resposta contundente, imediata e global”.
O Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo consumido no planeta, é um dos principais pontos de tensão do conflito desencadeado por ataques americanos e israelenses contra o Irã em fevereiro deste ano. As hostilidades entre os rebeldes hutis do Iêmen e a Arábia Saudita, maior exportador do combustível no mundo, também ampliam a instabilidade na região.
Fonte: veja.abril.com.br