Bom desempenho das legendas palestinas nas eleições de 27 de outubro contribuiu para deixar o primeiro-ministro sem maioria no Parlamento
Após o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, acusar sem provas minoria árabe israelense de cometer fraude no pleito de 27 de outubro, a Comissão Eleitoral israelense afirmou, nesta quarta-feira, 4, que não encontrou indícios de violação.
Netanyahu e seu partido, o Likud, acusaram de fraude as legendas árabes israelenses, que, com seu bom desempenho nas eleições da semana passada, contribuíram para deixar o primeiro-ministro sem maioria.
“A auditoria foi concluída. Todas as reclamações apresentadas pelas facções políticas foram revisadas e não foi encontrado nada que indique qualquer dano à integridade das eleições”, afirmou a comissão em um comunicado.
O órgão disse ainda que suas verificações não revelaram “nenhuma irregularidade” ou indício de que “os resultados tenham sido alterados”. A comissão destacou que analisou todos os recursos de partidos e particulares, além de ter examinado minuciosamente mais de 9 mil urnas, “um número sem precedentes”.
Formação de novo governo
O anúncio aconteceu pouco antes do presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciar as reuniões para designar um dos candidatos a formar um governo, processo no qual os partidos árabes israelenses podem desempenhar papel de fiel da balança.
“Tenho grande respeito pela comunidade árabe de Israel. Condeno os comportamentos grosseiros e as declarações racistas que ouvimos recentemente”, afirmou ele em um discurso durante a proclamação dos resultados oficiais das eleições.
O presidente se referiu em termos duros à polêmica sobre os árabes israelenses e condenou os ataques “racistas” contra esta comunidade, que representa quase 20% da população.
O objetivo, ao fim da rodada de consultas, é designar até 11 de novembro a pessoa que considere mais apta para formar o próximo governo. As negociações prometem ser difíceis, já que nenhum bloco conseguiu a maioria absoluta de 61 cadeiras.
Articulação da oposição
Os partidários de Netanyahu somaram 53 assentos e o principal bloco de oposição, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras. Na terça-feira 3, os cinco líderes do “bloco da mudança”, liderado pelo ex-comandante militar, se reuniram para coordenar a estratégia.
Todos manifestaram disposição de um acordo para um “governo de emergência nacional”, mas sem explicar como farão para alcançar a maioria.
A oposição, que reúne partidos muito diversos, que vão da esquerda à direita nacionalista, está dividida em vários temas. Um deles é a conveniência de estabelecer uma aliança ou não com os partidos árabes israelenses, que conquistaram um número recorde de 19 cadeiras no Knesset.
Com o apoio que estão dispostos a oferecer a Eisenkot, a oposição poderia alcançar a maioria parlamentar e tirar do poder de Netanyahu, o primeiro-ministro que mais tempo permaneceu no cargo na história do Estado de Israel.
Herzog afirmou que os partidos devem aceitar que “nem todas as promessas de campanha poderão ser cumpridas” e advertiu que, como não há um “vencedor claro”, será necessário “originalidade e criatividade, coragem e boa vontade”.
(Com informações da AFP)
Fonte: veja.abril.com.br