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Lula e Flávio Bolsonaro tentam demonstrar que o adversário é corrupto

Na reta final, a desconfiança fez aumentar muito o número de indecisos entre os eleitores que se declaram independentes

Lula e Flávio Bolsonaro criaram uma cena teatral com pedidos mútuos e múltiplas condicionantes para uma exposição pública das suas contas privadas e, também, de familiares e assessores.

A proposta foi de Lula em desafio ao adversário no único debate a que compareceram, o da Rede Bandeirantes há outro marcado para hoje à noite na Rede Globo.

Na terça-feira (20/10), ele formalizou a proposta no Tribunal Superior Eleitoral. Flávio Bolsonaro respondeu com uma lista de exigências. Lula retrucou em rede social: Desafio aceito, Flávio Bolsonaro. Amanhã (quinta-feira,22/10) às 11h esperamos você no TSE para abertura total do sigilo.

E assim, Lula e Flávio Bolsonaro atravessaram a reta final da eleição presidencial entretidos nessa espécie de gincana da corrupção, onde um candidato desafia outro a demonstrar em público que não é político corrupto.

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É uma situação esdrúxula. Entre outras razões, porque presidente e senador da República são servidores públicos e deveriam divulgar suas contas privadas, assim como as dos familiares e assessores, mantendo os registros atualizados.

Transparência no setor público é obrigação constitucional, como lembrou o vice-presidente e candidato à reeleição Geraldo Alckmin: Acho até que quem é eleito presidente, vice-presidente, não deveria ter sigilo nem fiscal, nem bancário, nem telefônico. Vida pública é vida pública, tem que ser transparente.

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Gráfico de linhas mostrando o aumento de indecisos entre eleitores independentes. O quadro central destaca que o total de indecisos cresceu 18 pontos percentuais em uma semana, com linhas indicando 35% e 13% em 14 de outubro, e 31%, 30%, 24% e 15% em 21 de outubro. Outros gráficos mostram a variação de votos para lulistas, esquerda não lulista, direita não bolsonarista e bolsonaristas, com margens de erro e datas de pesquisa.
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Há algo de muito estranho quando candidatos à presidência da República resolvem transformar um duelo retórico sobre corrupção em passatempo de campanha eleitoral. Está claro que Lula e Flávio Bolsonaro simplesmente não cumpriram nem demonstram intenção de cumprir a obrigação constitucional de publicidade do que, como, quando e por que fazem nos respectivos mandatos, com o dinheiro público e, sobretudo, nos seus negócios privados. Um aponta outro para justificar os seus segredos.

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A desconfiança sobre os dois candidatos há meses permeia as manifestações dos eleitores nas pesquisas. Como mostra a mais recente sondagem da Quaest para o grupo Globo, ao contrário das expectativas, aumentou muito o número de indecisos entre os eleitores que se declaram independentes. Cresceu de 13% para 31% em apenas uma semana a última da temporada eleitoral.

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Fonte: veja.abril.com.br

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