Ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro, membros do Centrão e executivos do mercado financeiro aparecem em especulações
A disputa pela composição da equipe econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL) movimenta os bastidores da política e do mercado financeiro antes mesmo do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). Entre os nomes mencionados para postos estratégicos estão antigos integrantes do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, membros do Centrão e executivos de instituições financeiras, embora nenhuma indicação para a área econômica tenha sido oficializada.
Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, Roberto Campos Neto, que comandou o Banco Central, e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, estão entre os nomes citados nas especulações. Também aparecem Adolfo Sachsida, Alexandre Ywata, Mansueto Almeida e Alexandre Bettamio, que têm trajetórias distintas na administração pública e no setor privado.
As conversas ocorrem em meio à discussão sobre o tamanho da estrutura ministerial. Flávio já declarou que pretende cortar ao menos 10 dos 39 ministérios existentes hoje. Em agosto, Daniella Marques, responsável pela coordenação econômica da campanha do PL, afirmou que um eventual governo do senador teria entre 20 e 25 pastas.
Disputa por espaço na equipe econômica
A escolha do futuro ministro da Fazenda é um dos principais focos das especulações. Kayath, atualmente sócio da gestora QSM Capital, é um dos nomes lembrados por integrantes do mercado financeiro. Ele recebeu Flávio em um jantar com banqueiros realizado em sua residência e já expôs publicamente suas ideias para a condução da economia. Em entrevista ao canal CNN Brasil, no início de outubro, o executivo negou ter conversado com o senador sobre uma eventual nomeação. Na ocasião, também criticou a concentração de atribuições em um único ministro, modelo associado à gestão de Paulo Guedes, embora tenha elogiado o ex-ministro. “Eu sou contra esse conceito de Posto Ipiranga”, disse.
Roberto Campos Neto, atualmente no Nubank, também é mencionado ocasionalmente como possível titular da Fazenda. A hipótese de sua entrada no governo é ventilada apesar das críticas à sua gestão no Banco Central relacionadas à fiscalização do Banco Master. Alexandre Bettamio, do Bank of America, é outro nome especulado para o posto.
Além dos executivos, dois antigos integrantes da equipe econômica de Jair Bolsonaro são citados como possíveis nomes para a Fazenda ou o Planejamento: Daniella Marques e Adolfo Sachsida. Marques foi assessora especial de Paulo Guedes e presidiu a Caixa no último ano da gestão bolsonarista. Sachsida comandou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia e, em 2022, assumiu o Ministério de Minas e Energia.
Como apontado por reportagem de VEJA, Sachsida é o nome preferido do ex-presidente para comandar a Fazenda. Sachsida tem afirmado que, caso Flávio seja eleito, os programas sociais não serão enfraquecidos e a Petrobras não será privatizada.
É praticamente certo que Marques teria destaque em um governo Flávio, mas seu destino permanece incerto. Antes do primeiro turno, ela já dizia a interlocutores que preferia ocupar outra pasta. Mais recentemente, seu nome passou a ser associado a uma possível função na área social.
Alexandre Ywata, que sucedeu Marques na Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade quando ela deixou o posto para assumir a presidência da Caixa, também é apontado como possível integrante de um eventual governo Flávio. O mesmo vale para Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente no BTG.
Partidos e aliados também reivindicam ministérios
A montagem de um eventual gabinete envolve negociações com partidos que passaram a apoiar a candidatura de Flávio no segundo turno, como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos.
No PP, a senadora Tereza Cristina, ministra da Agricultura durante o governo Jair Bolsonaro, é cotada para integrar o primeiro escalão. A parlamentar também pode ter influência na escolha do próximo ministro das Relações Exteriores. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que apoia Flávio, quer ampliar a sua participação na definição do comando do Itamaraty.
Na Casa Civil, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, aparece entre os possíveis indicados. Para a Segurança Pública, caso a área seja separada do Ministério da Justiça, é citado o senador eleito Guilherme Derrite (PP), que comandou a área no governo de Tarcísio de Freitas, em São Paulo. Na Educação, Renato Feder, atual secretário da área em São Paulo, é mencionado como possível titular do ministério. Seu nome já havia sido cogitado para o cargo durante o governo Jair Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro, que está no exterior, também é apontado por aliados bolsonaristas como integrante de um eventual novo governo. Uma das hipóteses discutidas seria sua indicação ao Itamaraty. O deputado foi alvo de uma ordem de prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e condenado a quatro anos e dois meses de prisão, inicialmente em regime semiaberto, por coação praticada nos Estados Unidos com o objetivo de interferir no julgamento da trama golpista.
Até agora, Flávio anunciou apenas um nome para o comando de um ministério. Em agosto, durante entrevista à TV Globo, o senador afirmou que escolheria o médico Claudio Lottenberg para a pasta da Saúde.
Fonte: veja.abril.com.br