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Milhões de brasileiros com casas financiadas torcem para ter o mesmo tratamento do Corinthians

O clube negocia com a Caixa um alívio para uma dívida de mais de R$ 600 milhões, em troca da venda de naming rights

O brasileiro que financia a casa própria na Caixa deveria prestar atenção ao tratamento dispensado ao Corinthians. O clube negocia entregar ao banco os direitos de nome do estádio em Itaquera por 15 anos para abater uma dívida superior a 600 milhões de reais. A pergunta é se a instituição financeira está prestes a entrar em um negócio vantajoso ou trata-se apenas de um privilégio com embalagem publicitária.

O perdão da dívida não foi anunciado, e as condições definitivas continuam em discussão. Mas o alívio já chegou: a Caixa concordou em suspender os próximos pagamentos e deixar de reter receitas de bilheteria e premiações. A negociação ganhou uma reunião com o ministro Guilherme Boulos e representantes da torcida organizada Gaviões da Fiel, a poucos dias do segundo turno presidencial. É uma combinação que exige explicações sobre a fronteira entre decisão bancária e conveniência eleitoral.

Do outro lado estão 8 milhões de contratos ativos de financiamentos habitacionais no mesmo banco. Para o mutuário comum em dificuldade, a Caixa divulga algumas alternativas, como usar o próprio FGTS ou acrescentar prestações atrasadas ao saldo devedor formas de pagar, não de fazer a obrigação desaparecer.

A inadimplência pode terminar na perda do imóvel em leilão. Esses clientes não têm um estádio para oferecer como vitrine nem uma torcida capaz de transformar sua dívida em assunto de governo. Quem dera poder oferecer os naming rights da própria casa ou apartamento para a Caixa em troca do abatimento da dívida.

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Direitos comerciais têm valor, e recebê-los como contrapartida não equivale, por si só, a perdoar uma dívida. Justamente por isso, cabe à Caixa demonstrar, com avaliação técnica e critérios verificáveis, quanto receberá e por que a operação lhe interessa. Sem essa demonstração, pode-se classificar o negócio como mais um caso de favorecimento ou de populismo barato (mas caro para os contribuintes). Banco público precisa justificar seus negócios pelo retorno à instituição, não pelo tamanho da arquibancada.

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Fonte: veja.abril.com.br

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