Homem de 39 anos, que não teve nome divulgado, abriu fogo nas cidades de Trappes e La Verrière, antes de ser detido nesta sexta-feira
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, classificou nesta sexta-feira, 23, como “terrorista” um ataque que deixou um morto e quatro feridos, após um homem abrir fogo nas cidades de Trappes e La Verrière, ao sudoeste de Paris, antes de ser detido nesta sexta-feira, 23.
“Trata-se claramente de um crime terrorista, é um ato extremamente grave”, afirmou Nuñez.
O prefeito de Trappes, Ali Rabeh, denunciou, por sua vez, “um atentado com conotação racista, provavelmente islamofóbica”.
O ataque aconteceu por volta das 10h30 locais (5h30 em Brasília) nos dois subúrbios de Paris e o homem de 39 anos, que não teve o nome divulgado, foi rapidamente detido a alguns quilômetros da área, na localidade vizinha de Coignères, segundo a agência de notícias AFP, que citou uma fonte policial.
“Na manhã desta sexta-feira, um indivíduo atirou de dentro de seu veículo contra várias pessoas que cruzaram seu caminho”, escreveu em seu perfil no Instagram o prefeito de Trappes, Ali Rabeh.
Em entrevista à emissora BFMTV, Rabeh acrescentou que o agressor “parecia estar atirando a esmo, com a intenção de realizar um massacre”.
Tensão na França
O ataque ocorre em um momento em que a França se encontra em estado de tensão, após distúrbios e uma onda de violência à margem de protestos em massa contra a disparada do custo de vida, que engrossaram o movimento estudantil por melhorias na educação no último fim de semana. As cenas do sábado 17 marcaram alguns dos piores episódios de violência urbana já vistos no país nos últimos anos.
Novos protestos foram marcados para este sábado, 24. A polícia prometeu uma presença reforçada, após uma semana em que foram impostos toques de recolher noturnos em diversas cidades francesas.
Além disso, a França enfrentou, no passado, uma série de ataques de cunho islâmico, incluindo o massacre cometido por jihadistas no coração de Paris, em novembro de 2015, que deixou 130 mortos.
Embora o número de incidentes tenha diminuído nos últimos anos, as autoridades alertam que o risco persiste e que tentativas de ataques são frequentemente frustradas graças ao trabalho de inteligência.
Em 2020, Samuel Paty, um professor que lecionava em outro subúrbio de Paris, foi decapitado por um extremista islâmico após ter exibido a seus alunos caricaturas do profeta Maomé.
A cidade de Trappes também vivenciou momentos de tensão, depois que um professor da região relatou ter recebido ameaças após escrever que o Estado não havia feito o suficiente para proteger Paty.
Fonte: veja.abril.com.br