Editor de política de VEJA analisa o desempenho dos candidatos no primeiro confronto direto do segundo turno e seus possíveis reflexos na disputa presidencial
O primeiro debate do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo, foi marcado por ataques pessoais, poucas propostas e erros de postura dos dois candidatos. Na avaliação de José Benedito, editor de política de VEJA, o senador demonstrou evolução em sua desenvoltura, mas exagerou nas provocações ao adversário, enquanto o presidente apresentou dificuldades para responder a questionamentos que poderiam ter sido antecipados por sua equipe. O resultado, segundo o jornalista, foi um confronto que pouco contribuiu para convencer os eleitores indecisos a menos de uma semana da votação. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Durante o VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, José Benedito afirmou que o encontro frustrou a expectativa de uma discussão sobre os principais problemas do país. “O que aconteceu foi uma troca de acusações”, resumiu. Para o editor, os dois candidatos concentraram esforços em mobilizar seus próprios apoiadores, sem apresentar respostas capazes de conquistar quem ainda não escolheu um lado. “Eu não consigo ver ninguém sendo convencido”, afirmou.
Onde Flávio Bolsonaro errou no debate?
José Benedito avaliou que Flávio Bolsonaro apresentou um desempenho mais desenvolto do que em participações anteriores em debates eleitorais. Segundo ele, o senador demonstrou agilidade nas respostas e maior segurança diante das câmeras, superando parte das dificuldades que marcaram sua trajetória nesse tipo de confronto.
O principal problema, na avaliação do editor, foi a postura adotada por Flávio enquanto Lula falava. O senador permaneceu repetidamente atrás do presidente, fazendo gestos e provocações. Para José Benedito, a estratégia poderia tanto desconcentrar o adversário quanto prejudicar o aproveitamento de imagens do debate pela campanha petista. O comportamento, entretanto, também poderia produzir uma impressão negativa entre determinados segmentos do eleitorado. “Eu acho que isso pode ter passado, sim, uma imagem de arrogância, uma imagem de prepotência”, disse. O jornalista acrescentou que a atitude poderia afastar eleitores mais velhos ou indecisos.
Por que Lula teve dificuldades diante de Flávio?
Na avaliação de José Benedito, Lula também teve um desempenho abaixo do esperado, especialmente diante de sua experiência em campanhas presidenciais. O editor apontou dificuldades do presidente para responder a perguntas relacionadas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e à lobista Roberta Luchsinger, assunto que já vinha sendo explorado no debate político.
Para o jornalista, a possibilidade de o adversário abordar esse episódio era previsível, o que tornou a reação de Lula ainda mais problemática. “Achei que ele claramente não estava preparado para alguns temas”, afirmou. José Benedito também observou momentos em que o presidente não utilizou integralmente o tempo disponível e demonstrou dificuldades com as regras do confronto. Segundo o editor, Lula não conseguiu transformar sua experiência eleitoral em vantagem diante de um adversário com menor histórico de participação em debates.
Houve um vencedor no confronto?
Apesar das críticas ao desempenho dos candidatos, José Benedito considera difícil apontar um vencedor no debate da Band. “Eu sinceramente não consigo apontar um ganhador e nem um perdedor”, afirmou o editor de política de VEJA.
Para o jornalista, a principal questão é se o confronto teve capacidade de alterar a preferência dos eleitores que ainda não escolheram um candidato. “O eleitor que estava indeciso mesmo, aquele que não é alinhado a nenhum dos dois, pode não ter encontrado motivo para votar em nenhum”, avaliou.
Ele ressaltou que pesquisas internas das campanhas poderiam indicar avaliações diferentes, mas que, a partir do desempenho observado, não havia elementos suficientes para declarar a vitória de um dos participantes.
O que os candidatos precisam corrigir para o debate da Globo?
José Benedito avalia que as campanhas deverão utilizar as reações ao confronto da Band para rever suas estratégias antes do último debate, previsto para sexta-feira, 23, na TV Globo. Na análise do editor, os erros cometidos no primeiro encontro tendem a ser examinados pelas equipes, que poderão ajustar a preparação dos candidatos e a escolha dos temas a serem explorados.
O jornalista também demonstrou dúvidas sobre a capacidade do debate da Band de influenciar uma disputa eleitoral tão apertada. A expectativa agora, segundo José Benedito, é que o encontro final tenha outra dinâmica, com candidatos mais preparados para explorar as fragilidades do adversário. O editor considera improvável que os mesmos erros se repitam, mas não antecipa se a mudança de estratégia será suficiente para alterar o quadro eleitoral.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br