O jantar e leilão beneficente reúne obras de cinco artistas contemporâneas brasileiras em prol do câncer de mama
Nesta segunda, 19 de outubro, o Instituto PROTEA realiza no Rio de Janeiro um jantar beneficente em prol de mulheres com câncer de mama. A arrecadação virá da venda de ingressos e mesas e de um leilão que vai de uma raquete e camisetas autografadas pelo tenista João Fonseca a obras de cinco artistas contemporâneas brasileiras: Sophia Loeb, Iole de Freitas, Mariana Palma, Manoela Medeiros e Betina Samaia.
A pintura de Sophia Loeb foi criada exclusivamente para a ocasião. Batizada de Vitoriosa, em homenagem à cura do câncer de mama, a obra é feita com óleo, bastão a óleo e pigmento sobre tela e tem tons predominantemente rosa, cor símbolo da campanha contra a doença. Em entrevista exclusiva, a artista conta que a escolha da cor não foi planejada: seu processo é intuitivo, e ela nunca sabe de antemão aonde as dezenas de camadas de tinta vão levá-la, incluindo cores e formas do resultado final.
Foi só diante da tela pronta que Sophia percebeu o que ela lhe evocava. Para a artista, as cores lembram fogos de artifício, uma referência a celebração da cura. A pintura leva energia positiva e esperança às mulheres que enfrentam essa doença cruel e que são apoiadas pelo Instituto PROTEA, cujo objetivo é a cura e a vitória de cada uma delas. Daí o nome, que trata a vitória como se já fosse realidade, assim como o impacto da doação ao instituto. A obra também remete a flores, e seus detalhes minuciosos lembram as células do corpo humano.
Levar alegria e positividade ao mundo sempre foi um objetivo central do trabalho de Sophia. Não por acaso, suas pinturas são disputadas por coleções particulares ao redor do mundo e estão em instituições de prestígio internacional, como o Albertina, em Viena, o LACMA, o Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, e a Green Family Art Foundation. No ano passado, a artista também fez uma colaboração marcante com a Maison Dior, para a qual criou quatro bolsas Lady Dior exclusivas, baseadas em suas pinturas.
Mais do que cores vibrantes que se complementam em perfeita harmonia, as telas de Sophia convidam a uma imersão: perceber como a luz muda e como a perspectiva cria novas formas. A atmosfera é onírica, como se saísse de um sonho. Ela pinta com espontaneidade, sem esboços, e deixa que cada camada a conduza à seguinte. A técnica cria impastos, superfícies espessas e onduladas, e nenhuma camada se perde: as mais antigas permanecem sob as novas e emergem como memórias de um tempo distante.
O leilão reúne ainda obras de outras quatro artistas que, em linguagens muito diferentes, olham para a natureza, a memória e a passagem do tempo. Uma escultura de Iole de Freitas flui como água, uma fotografia de Mariana Palma aposta em tons de azul, uma tela de Manoela Medeiros tem camadas de tinta que parecem escavada e uma noite carioca assinada por Betina Samaia é feita de luz. Somadas à pintura de Sophia Loeb, cujas superfícies revelam cada gesto, as obras de arte do leilão convidam a um olhar mais profundo sobre o mundo.
Fonte: veja.abril.com.br