Produtores preservam cotas pelo terceiro mês consecutivo; guerra no Irã dificulta exportações e cálculo da oferta para o próximo ano
Sete países da Opep+ mantiveram neste domingo, 1º, as metas de produção de petróleo para dezembro, prolongando pelo terceiro mês consecutivo os níveis estabelecidos em setembro. A decisão ocorre enquanto a guerra no Irã prejudica as exportações do Golfo e mantém parte dos produtores abaixo das cotas autorizadas. A definição da política para 2027 é esperada na reunião de 29 de novembro.
Participaram do encontro virtual Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. A Opep+ reúne a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, entre eles a Rússia, que coordenam limites de produção para administrar a oferta no mercado internacional.
A manutenção das metas não significa que o volume efetivamente produzido ficará estável. As cotas definem os níveis acordados entre os países, mas a quantidade que chega ao mercado também depende das condições de extração e transporte. Apesar da recuperação das exportações de membros do Golfo, a maioria ainda produz abaixo dos limites previstos, conforme a Reuters.
Guerra dificulta planejamento para 2027
O principal impasse para o próximo ano é a possibilidade de retorno dos barris que deixaram de chegar ao mercado por causa do conflito. A Agência Internacional de Energia e outras instituições alertaram para o risco de excesso de oferta em 2027 caso os fluxos do Golfo se normalizem. Uma recuperação das exportações ampliaria a disponibilidade de petróleo e poderia pressionar as cotações para baixo.
No curto prazo, porém, o risco de agravamento da guerra sustenta a preocupação com o abastecimento. Na sexta-feira, 30, antes da reunião dos produtores, o Brent, referência internacional para o preço do petróleo, subiu mais de 2% e fechou próximo de 118 dólares por barril, no maior patamar desde abril. O movimento refletiu o receio de uma escalada do conflito após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
Grupo ainda mantém cortes de produção
Os sete países elevaram suas metas durante grande parte de 2026 e concluíram, em setembro, a reversão gradual de um corte de 1,65 milhão de barris por dia, anunciado originalmente em 2023. Depois disso, preservaram as cotas para outubro e novembro.
Outra rodada de cortes, de aproximadamente 2 milhões de barris por dia, continua em vigor até o fim deste ano e abrange a maior parte dos integrantes da aliança. A discussão sobre esses limites fará parte do planejamento da oferta para 2027.
Antes de estabelecer as próximas cotas, o grupo precisa concluir uma revisão da capacidade de produção dos membros. O levantamento servirá de base para determinar os volumes de referência de cada país e orientar os planos de retirada dos cortes restantes.
A guerra interrompeu projetos de expansão no Oriente Médio e aumentou a incerteza sobre quanto os produtores poderão extrair nos próximos anos. A expectativa é de que a revisão seja concluída até meados de novembro, antes da reunião dos 21 integrantes da Opep+ no dia 29.
Fonte: veja.abril.com.br