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Polícia faz buscas em escritórios de extrema direita do Parlamento Europeu

Investigação apura uso irregular de recursos pelo antigo Identidade e Democracia; relatório aponta 4,33 milhões de euros em gastos indevidos

A polícia realizou nesta quarta-feira, 21, buscas em escritórios do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, e em Bruxelas, na Bélgica, como parte de uma investigação sobre o possível uso irregular de recursos da União Europeia pelo antigo grupo parlamentar Identidade e Democracia (ID), que reunia partidos de extrema direita, entre eles o Reagrupamento Nacional (RN), de Marine Le Pen.

As diligências tiveram como alvo escritórios ligados a Philip Claeys, ex-eurodeputado belga e atual secretário-geral do Patriotas pela Europa, grupo que sucedeu ao ID em 2024. A investigação apura suspeitas de irregularidades na utilização de verbas parlamentares e na contratação de prestadores de serviços.

Um relatório da área financeira do Parlamento Europeu apontou que o ID teria utilizado indevidamente 4,33 milhões de euros em recursos parlamentares. Desse total, mais de 700 mil euros teriam sido destinados, ao longo de cinco anos, a organizações sem fins lucrativos sem relação comprovada com as atividades políticas do grupo. O documento também questionou contratos concedidos a empresas ligadas ao RN, alguns sem concorrência pública.

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Entre os principais beneficiários citados estão a Unanime e a e-Politic, duas empresas ligadas a uma rede de pessoas associadas ao antigo Groupe Union Défense, organização estudantil de extrema direita. Ambas prestavam serviços regularmente às campanhas eleitorais do RN.

Durante uma primeira fase de buscas, em junho, os investigadores estiveram em instalações utilizadas por Paul-Alexandre Martin, fundador da agência de comunicação e-Politic, incluindo sua residência no sul da França.

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Como secretário-geral do ID, Claeys supervisionava a formalização dos contratos e era responsável por verificar a conformidade dos procedimentos de contratação. A atuação nessa área foi questionada no relatório financeiro do Parlamento Europeu.

Atualmente, Claeys ocupa o mesmo cargo no Patriotas pela Europa, grupo presidido por Jordan Bardella, líder do RN. Em declarações ao jornal Le Monde no ano passado, ele contestou as conclusões do relatório e classificou as acusações como incorretas. Segundo Claeys, todos os pagamentos realizados nos cinco anos anteriores haviam sido devidamente faturados, justificados e verificados. Ele também afirmou que a empresa independente de auditoria RSM Belgium certificava regularmente as contas anuais e que os documentos eram aprovados pela Mesa do Parlamento Europeu.

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Segundo fontes internas da instituição, Thibaut François, secretário-geral adjunto do ID, tinha a palavra final sobre os contratos concedidos pela delegação francesa. François é apontado como próximo de Le Pen e Bardella e atua na organização de viagens internacionais dos dirigentes.

Investigação começou em 2025

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As buscas desta quarta-feira foram conduzidas pelo Escritório Central Francês de Combate à Corrupção e aos Crimes Financeiros e Fiscais. A operação foi anunciada pelo eurodeputado Jean-Paul Garraud, chefe da delegação do RN no Parlamento Europeu, em uma publicação na rede social X.

A ação ocorreu após uma primeira série de diligências realizada em 30 de junho na França, na Bélgica, na Espanha e na Itália. A investigação da Procuradoria Europeia foi aberta em julho de 2025 para apurar o possível uso irregular de recursos comunitários pelo ID, incluindo contratos concedidos pelo RN a prestadores de serviços ligados ao partido.

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Em sua publicação, Garraud criticou o que classificou como perseguição. Enquanto as ruas da França mergulham no caos, as autoridades parecem ter feito disso sua prioridade, escreveu.

O Patriotas pela Europa afirmou que nenhum parlamentar foi alvo das buscas e ressaltou que não existe continuidade jurídica entre o grupo atual e o ID. O Parlamento Europeu informou que está cooperando com as autoridades competentes.

A Procuradoria Europeia é um órgão independente da União Europeia responsável por investigar e processar crimes que prejudiquem os interesses financeiros do bloco. A instituição também conduziu a investigação sobre o esquema de empregos fictícios de assistentes parlamentares europeus ligado ao RN, que resultou, em julho deste ano, na condenação em segunda instância de Le Pen, do partido e de outras 23 pessoas.

O Organismo Europeu de Luta Antifraude também investigou despesas do grupo Europa das Nações e da Liberdade, formação parlamentar que antecedeu o ID entre 2015 e 2019. Claeys já exercia o cargo de secretário-geral naquele período.

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Fonte: veja.abril.com.br

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