O colunista Robson Bonin analisa as consequências da mudança no cenário político americano e os possíveis reflexos sobre os interesses do bolsonarismo nos EUA
A derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que garantiram aos democratas o controle da Câmara e do Senado, pode representar um problema para a família Bolsonaro. Segundo o colunista de VEJA Robson Bonin, o enfraquecimento político do presidente Donald Trump tende a reduzir o espaço para pautas de interesse do bolsonarismo em Washington, especialmente em um momento em que Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos. A avaliação foi feita no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. (este texto é um resumo do vídeo acima)
“Tem uma certa preocupação entre os aliados do senador Flávio Bolsonaro”, afirmou Bonin. Na avaliação do jornalista, a família Bolsonaro está associada a uma agenda política internacional que sofreu um revés nas urnas americanas. O colunista considera que o resultado representa uma rejeição à postura de Trump, marcada por intervenções em assuntos de outros países e pela condução de conflitos internacionais, enquanto problemas internos dos Estados Unidos, como o aumento do custo de vida, ganharam peso entre os eleitores.
Como a derrota de Trump pode atingir os Bolsonaro?
Para Bonin, a nova composição do Congresso americano tende a aumentar a pressão sobre Trump para que concentre sua atuação nos problemas domésticos. O colunista avalia que a rejeição dos eleitores à política externa do presidente e às consequências econômicas de suas decisões reduz o espaço para iniciativas voltadas a disputas políticas de outros países, incluindo o Brasil.
Segundo o jornalista, os americanos demonstraram insatisfação com a elevação dos preços, que ele relaciona, entre outros fatores, à guerra no Irã e às disputas comerciais promovidas por Trump. Bonin também interpreta o resultado eleitoral como uma manifestação contrária à perseguição de grupos sociais e favorável à diversidade. Para ele, esse conjunto de fatores enfraquece uma agenda internacional da qual os Bolsonaro se beneficiavam politicamente.
“O enfraquecimento do Trump, de certa maneira, é ruim”, afirmou Bonin, ao analisar os efeitos da eleição sobre a oposição brasileira. A avaliação do colunista é que Trump passará a enfrentar desafios políticos internos mais urgentes, deixando em segundo plano questões relacionadas ao Brasil.
Por que a situação de Flávio Bolsonaro preocupa seus aliados?
A avaliação ocorre em meio à permanência de Flávio Bolsonaro fora do Brasil. Durante o programa, Marcela Rahal lembrou que congressistas democratas já haviam questionado o governo americano sobre uma possível ajuda ao senador brasileiro, levantando dúvidas sobre as condições de sua presença nos Estados Unidos.
Com a maioria democrata no Congresso, a apresentadora questionou se a situação poderia se tornar mais difícil para a família Bolsonaro. Bonin respondeu que existe preocupação entre aliados do senador, especialmente diante da possibilidade de a agenda internacional de Trump perder força. Para o colunista, o resultado das urnas pode diminuir a disposição da Casa Branca de se envolver em questões políticas brasileiras, em um momento em que o próprio presidente americano terá de administrar uma relação mais difícil com o Legislativo.
O que pode mudar na relação entre Trump e Lula?
Outro possível efeito da derrota republicana, segundo Bonin, está na relação entre os governos brasileiro e americano. O colunista lembrou que as tensões entre os dois países se intensificaram com a política de tarifas comerciais adotada por Trump e com medidas direcionadas a integrantes do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula.
Bonin destacou que a atuação de Eduardo Bolsonaro também teve participação no agravamento desse confronto político. Na avaliação dele, a relação bilateral passou a ser marcada por disputas ideológicas que se somaram às divergências comerciais. “Os Estados Unidos nunca tiveram problemas com o Brasil. Começaram a ter a partir de uma empreitada que começou com Eduardo Bolsonaro e com Trump”, afirmou o jornalista.
Com a derrota eleitoral, Bonin considera possível que Trump tenha maior disposição para negociar questões econômicas com o governo Lula, em vez de priorizar conflitos políticos envolvendo os Bolsonaro. “O presidente Trump tem agora questões mais importantes para lidar do que ficar cuidando dos assuntos aqui do Brasil”, afirmou.
Para o colunista, a mudança de prioridades em Washington pode enfraquecer a estratégia internacional da oposição brasileira. Bonin avalia que o Brasil tende a ser visto de maneira mais favorável como parceiro comercial do que como parte de uma disputa ideológica.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br