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Por que tirar um voto do rival vale por dois no 2º turno, de acordo com CEO de instituto de pesquisa

Marcelo Tokarski explica como a transferência de votos pode alterar a disputa entre Lula e Flávio e aponta o peso da rejeição e da abstenção na reta final

A disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial pode ser definida por uma conta simples: conquistar um eleitor do adversário representa, na prática, uma diferença de dois votos. A explicação é de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, que analisou os primeiros levantamentos após o primeiro turno em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal. (este texto é um resumo do vídeo acima)

Segundo ele, a dinâmica de uma disputa entre apenas dois candidatos torna especialmente importante a capacidade de convencer eleitores que já escolheram um lado. O segundo turno é uma contagem, muitas vezes é uma contagem de basquete. Quando você tira o voto de alguém e ganha esse voto, a contagem é dobrada, afirmou Tokarski.

Isso acontece porque a mudança de preferência reduz em um voto o total do adversário e acrescenta outro ao candidato que conquistou o eleitor. Na avaliação do especialista, esse mecanismo ajuda a explicar por que uma diferença nas pesquisas pode diminuir rapidamente, mesmo sem uma grande movimentação do eleitorado.

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Por que a transferência de votos pode mudar a eleição?

A primeira pesquisa Datafolha divulgada após o primeiro turno mostrou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula, em situação de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Tokarski observou que a vantagem numérica do senador passou de aproximadamente dois pontos no resultado do primeiro turno para quatro pontos no levantamento. Apesar disso, ressaltou que a diferença não é definitiva e pode ser alterada durante a campanha.

Na avaliação do CEO da Nexus, Lula enfrenta o desafio de recuperar terreno diante de um adversário que recebeu novos apoios políticos e que, segundo os primeiros levantamentos, estaria atraindo uma parcela maior dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno. Tokarski prevê uma campanha mais agressiva, especialmente diante da necessidade de o presidente convencer eleitores a mudar de posição ou reduzir a disposição de votar no adversário. A possibilidade de transferência direta de votos, porém, não é o único fator que pode influenciar o resultado.

O que pesa mais: os apoios políticos ou a rejeição aos candidatos?

Embora Flávio Bolsonaro tenha recebido manifestações de apoio de antigos concorrentes e de partidos políticos, Tokarski considera que a migração de votos não decorre necessariamente dessas alianças. Segundo ele, muitos eleitores buscaram uma alternativa a Lula e Flávio no primeiro turno, mas agora precisam escolher entre os dois.

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Para o especialista, a rejeição pode ser mais determinante do que a orientação de lideranças partidárias. O eleitor brasileiro não costuma muito seguir uma liderança política, afirmou, citando Lula e Jair Bolsonaro como exceções pela capacidade de mobilizar seguidores. Em sua avaliação, os primeiros levantamentos indicam uma rejeição maior ao presidente e ao governo, o que ajudaria a explicar a vantagem numérica de Flávio nas pesquisas divulgadas até aquele momento.

Como a abstenção pode interferir no resultado do segundo turno?

Outro fator considerado decisivo por Tokarski é a abstenção. Segundo ele, a ausência de eleitores de baixa renda e menor escolaridade, grupos nos quais Lula tem maior força eleitoral, contribuiu para o desempenho do presidente no primeiro turno. O especialista avalia que a campanha petista terá de concentrar esforços na mobilização desses segmentos, especialmente no Nordeste, onde cerca de 8 milhões de eleitores não compareceram às urnas na primeira votação.

O desafio, porém, vai além de simplesmente aumentar a participação. Tokarski calcula que uma redução de dois pontos percentuais na abstenção, de aproximadamente 21% para 19%, poderia levar cerca de 3,2 milhões de eleitores adicionais às urnas. Isso não significa, entretanto, que todos votariam em Lula. Mas qual é a garantia de que todo mundo vai votar no presidente?, questionou. Segundo ele, uma eventual queda na abstenção em São Paulo, onde Flávio teve maior votação, poderia beneficiar o candidato do PL.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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Fonte: veja.abril.com.br

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