A ausência de disputas estaduais pode afetar o comparecimento às urnas e a abstenção representa um desafio para Lula e Flávio
A ausência de eleições para governador no segundo turno em grande parte do país pode influenciar o resultado da disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Isso porque, sem uma eleição estadual para mobilizar o eleitorado, milhões de brasileiros terão de sair de casa exclusivamente para escolher o próximo presidente da República. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Marcelo Tokarski, CEO do instituto de pesquisa Nexus, alertou para o possível impacto desse cenário sobre a abstenção, que já atingiu um patamar recorde no primeiro turno. (este texto é um resumo do vídeo acima)
Segundo Tokarski, caso seja confirmada a vitória de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro, 21 das 27 unidades da Federação não terão disputa estadual no próximo dia 25 de outubro. Esses estados representam, de acordo com os cálculos apresentados pelo especialista, aproximadamente 92% do eleitorado brasileiro. Para essa parcela dos eleitores, a única votação será para presidente, o que acrescenta uma variável às estratégias de mobilização das campanhas.
Por que a ausência de eleições estaduais pode aumentar a abstenção?
Na avaliação de Tokarski, a inexistência de uma disputa para governador em boa parte do país pode afetar a disposição dos eleitores de comparecer às urnas. Sem candidatos estaduais mobilizando suas bases, a responsabilidade de estimular a participação ficará concentrada nas campanhas presidenciais.
O especialista destacou que a abstenção vem aumentando ao longo das últimas eleições e ultrapassou ligeiramente os 21% no primeiro turno deste ano. Embora o crescimento tenha sido pequeno em relação à eleição anterior, o patamar preocupa pelo potencial de interferir na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Como a abstenção pode beneficiar Lula ou Flávio Bolsonaro?
A distribuição regional dos eleitores que deixam de votar é um dos pontos centrais da análise do CEO da Nexus. Segundo Tokarski, a abstenção costuma ser maior entre brasileiros de baixa renda e menor escolaridade, segmentos nos quais Lula registra maior apoio eleitoral. Para o especialista, esse comportamento contribuiu para o desempenho do presidente no primeiro turno.
O Nordeste, principal região de força eleitoral do petista, terá papel importante nessa equação. De acordo com ele, aproximadamente 8 milhões de eleitores não compareceram às urnas na primeira votação. Mobilizar parte desse contingente seria uma possibilidade para a campanha de Lula tentar reduzir a diferença em relação a Flávio.
O efeito, no entanto, não é automático. Tokarski ressaltou que a redução da abstenção pode favorecer candidatos diferentes, dependendo de onde ocorrer. Mas qual é a garantia de que todo mundo vai votar no presidente?, questionou. Ele citou São Paulo, onde a abstenção superou 22% no primeiro turno, como exemplo de estado em que o aumento do comparecimento poderia, em tese, favorecer Flávio Bolsonaro, mais votado no estado.
Quantos votos uma redução da abstenção pode acrescentar à disputa?
Tokarski apresentou uma simulação para demonstrar o peso do comparecimento às urnas. Segundo seus cálculos, cada ponto percentual de abstenção representa aproximadamente 1,6 milhão de eleitores. Assim, uma redução de dois pontos percentuais, levando o índice de cerca de 21% para 19%, poderia acrescentar aproximadamente 3,2 milhões de votos ao segundo turno.
Esse contingente seria superior à diferença de cerca de 2,2 milhões de votos que separou Flávio Bolsonaro de Lula no primeiro turno. A comparação, porém, não significa que o aumento da participação seria suficiente para inverter o resultado. Tokarski observou que os votos adicionais seriam distribuídos entre os dois candidatos, tornando fundamental a localização geográfica dos eleitores mobilizados.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do telejornal VEJA em Foco (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
Fonte: veja.abril.com.br