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Expedição Katerre: uma viagem à Amazônia que vai bem além do turismo

Durante cinco dias, a colunista navegou em um barco pelo Rio Negro, em uma experiência que une natureza, propósito e vistas espetaculares

Maior bioma tropical do planeta e um dos ecossistemas mais ricos do globo, a Floresta Amazônica é pródiga em inspirar ditados em torno de quem a conhece. Uma das máximas mais recorrentes entre viajantes e guias locais é categórica: A Amazônia não se visita, se vive. A expressão se encaixa perfeitamente também a ideia do novo luxo, que nada tem a ver com a ostentação, o requinte de grifes ou a opulência das hospedagens. Esse conceito em ascensão está diretamente associado a intenção de desacelerar, conhecer a fundo uma realidade e vivenciá-la de forma autêntica e consciente. É exatamente esse tipo de viagem imersiva (com conforto) e em total comunhão com a realidade local, que experimentam os turistas que navegam pelos rios amazônicos, por alguns dias, em um dos barcos do grupo Expedição Katerre.

https://www.instagram.com/omundodesofia_cerqueira?stkn=MWIwdHFwbmphMXUzZQ%3D%3D&utm_source=qr

Uma vivência que eu tive a chance de ter no início de outubro. Embarquei esperando passar alguns dias a bordo de uma embarcação de padrão elevado, na qual singraria por rios majestosos e me encantaria diante da grandiosidade da floresta. A viagem não só correspondeu a estas expectativas, como foi bem além. Ela me expôs a uma realidade ainda mais impactante, na qual o turismo de experiência (com uma sucessão de paisagens de tirar o fôlego, sem exageros) se une a projetos de sustentabilidade, com o propósito de ajudar as comunidades ribeirinhas, melhorar a educação e contribuir na geração de renda. As expedições organizadas pela Katerre (significa Tudo de bom, no idioma Yanomami) começam em Novo Airão, município a 200 quilômetros de Manaus, onde os passageiros ingressam em barcos típicos da região, construídos especialmente para o turismo ecológico, com poucos passageiros (entre três e doze cabines-suíte), para explorar o baixo e médio Rio Negro e conhecer de forma especial aquele bioma.

“Praias” de areia branca e água escura: durante o percurso da expedição, os passageiros têm a chance de mergulhar em trechos inigualáveis do Rio NegroSofia Cerqueira/VEJA
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Em meio à Selva Amazônica, estas experiências seguem percursos por Anavilhanas o segundo arquipélago fluvial do mundo e pelo Parque Nacional do Jaú, ambos coalhados de ilhas e canais que se espraiam pelos rios Negro e Jaú. Um detalhe: ao contrário do que muitos pensam, nessa parte da floresta, os visitantes não sofrem com os mosquitos (eu mesma levei um estoque de repelente à toa). A alta acidez e à composição química de suas águas escuras impede a proliferação das larvas destes insetos. Durante o ano todo, a Katerre tem expedições mensais regulares de 3 a 7 noites, e viagens customizadas para grupos particulares. Há opções de roteiros mais longos, feitos no La Jangada (a embarcação mais luxuosa do grupo), que tem sua base em outro rio, o Solimões, e segue até Tabatinga. No meu caso, passei cinco dias (quatro noites) navegando no Jacaré-Açu, um barco com oito cabines refrigeradas, refeições com toques da culinária amazônica (mas com gostinho bem caseiro) e a presença de guias locais, que acompanham os vários passeios diários. Suas instalações são classificadas como rustiques, ou seja, uma mistura de rústicas com chiques.

Jacaré-açu: o barco percorre cerca de 400 quilômetros no Rio Negro, em meio à Floresta Amazônica, e os passeios são feitos a bordo de
Jacaré-açu: o barco percorre cerca de 400 quilômetros em meio à Floresta Amazônica e os passeios são feitos a bordo de “voadeiras”Sofia Cerqueira/VEJA

A bordo desta embarcação, pude entender, in loco, o que significa uma viagem por uma natureza extraordinária, mas carregada de propósito. Uma tecla que o engenheiro e empresário paulistano Ruy Tone, 59 anos, bate há mais de duas décadas, desde visitou pela primeira vez a região amazônica e decidiu criar a agência de expedições. Naquela época, ele tinha acabado de voltar da África, onde conhecera o Nkwichi Lodge, um renomado hotel de luxo rústico, em Moçambique, que tem só 5 quartos. Com práticas sustentáveis e comprometido com a realidade ao seu entorno, este hotel impacta positivamente cem famílias, embora tenha poucas acomodações. Essa ideia passou a nortear os planos de Tone, na área turística, desde então. Nossa intenção sempre foi ter uma empresa que promovesse o turismo autêntico, comprometida com o social, de baixo impacto e com alto rendimento para poder financiar os projetos nas comunidades da região, ressalta ele, à frente da Expedição Katerre.

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Banho de cachoeira ao longo do rio: na época da seca, como agora, as formações rochosas ficam mais à mostra junto a várias quedas d'água
Banho de cachoeira ao longo do rio: na época da seca, como agora, as formações rochosas ficam mais à mostra junto a várias quedas d’águaSofia Cerqueira/VEJA

Durante as expedições nos barcos da Katerre, os passageiros, como pude vivenciar, têm, de fato, uma experiência imersiva pelo Pulmão do mundo. Além de dormirem sob um céu estreladíssimo (algo impressionante na floresta) e acordarem com nasceres do sol espetaculares, a rotina inclui uma agenda de programas. Todas as embarcações contam com voadeiras, nas quais os grupos são levados para os passeios. As atividades incluem, entre outros, paradas em espetaculares praias de rio; caminhadas em reservas com imponentes grutas; banhos em cachoeiras formadas ao longo do Rio Negro; aulas no meio da floresta sobre espécies nativas e técnicas de sobrevivência; e visita a ruínas de uma cidade que viveu o apogeu do ciclo da borracha. Em vários trechos, há grandes pedras com petróglifos (desenhos seculares esculpidos em rochas). Os viajantes também podem, se quiserem, pernoitar na selva, em um redário instalado em um mirante-abrigo, com toda segurança.

“Espelhamento” da floresta: dependendo do horário e da incidência do sol, a vegetação surge duplicada na paisagemSofia Cerqueira/VEJA
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A programação ainda conta com observações diurnas e noturnas de animais, como jacarés, macacos, preguiças, ariranhas e inúmeros pássaros. Um dos pontos altos da agenda, sem dúvida, é a ida a um trecho do rio onde é possível ver e interagir com os amigáveis botos-cor-de-rosa. Eles chegam pertinho dos visitantes e projetam o corpo para fora dágua em busca de alimentos. Sem falar na chance ver o espelhamento da floresta dependendo da hora e incidência do sol, a vegetação aparece duplicada no espelho dágua e conhecer as diferenças da época da cheia (com os igapós ou florestas inundadas) e da seca (que acontece entre agosto e novembro e deixa à mostra formações rochosas).

Sala de aula de uma comunidade ribeirinha: durante a expedição, os passageiros têm a chance de conhecer a realidade local e alguns projetos sociais e ambientais
Sala de aula de uma comunidade ribeirinha: durante a expedição, os passageiros conhecem a realidade local e alguns projetos sociais e ambientaisSofia Cerqueira/VEJA

A experiência, porém, está longe de ser só isso. Quem participa dessa viagem imersiva tem a oportunidade de visitar comunidades ribeirinhas e indígenas, além de conhecer projetos sociais. Nosso objetivo é que os visitantes captem a essência da Amazônia e isso desperte o desejo de lutar por sua preservação, completa Ruy Tone. Junto com as iniciativas na área turística (também é sócio do Mirante do Gavião Amazon Lodge, um hotel de luxo, em Novo Airão), ele está engajado em um projeto de proteção da desova das tartarugas na região e virou presidente da Fundação Almerinda Malaquias. A ONG atua na construção e reforma de 23 escolas, oferece reforço escolar e promove a geração de renda com uma oficina de marchetaria. Ao fim de uma viagem como esta, além de lembranças inesquecíveis, o viajante percebe que o futuro da maior floresta tropical do mundo depende também do envolvimento de quem tem o privilégio de conhecê-la.

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Visitantes dóceis e simpáticos: um dos momentos mais emocionantes da viagem é a interação com os botos-cor-de rosa
Visitantes dóceis e simpáticos: um dos momentos mais emocionantes da viagem é a interação com os botos-cor-de rosaSofia Cerqueira/VEJA

 

Uma das cabines do Jacaré-açu: a embarcação é classificada como
Uma das cabines do Jacaré-açu: a embarcação é classificada como “rustique”, uma mistura de rústica com chiqueSofia Cerqueira/VEJA
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Conheça as diferenças entre os barcos da Expedição Katerre:

Jacaré-açu. Em madeira maciça, abriga oito cabines-suíte com ar-condicionado; salão de refeições; uma sala de convivência e cinema com sofás e projetor; e no convés, solário com cobertura retrátil e redes para relaxar curtindo as paisagens. Percorre os parques nacionais de Anavilhanas e Jaú.

Jacaré-tinga. Menor, também em madeira, abriga três cabines com ar-condicionado; sala de refeições, e solário com cobertura. Segue roteiros semelhantes à embarcação Jacaré-Açu.

La Jangada. Um catamarã de aço de 29 metros de comprimento, com doze cabines-suíte climatizadas. Dispõe de um elegante lounge bar, restaurante e solário no convés. Diferentemente dos demais, sua rota tem base no Rio Solimões, com roteiros de doze noites até Tabatinga, percorrendo a Foz do Rio Purus, a Reserva Mamirauá e visitação a aldeias

indígenas da etnia Ticuna entre Bethânia e Santa Rita (Brasil) e Porto Narinho (Colômbia).

Instagram: @expedicaokaterre (as tarifas partem de R$ 13 030,00, 4 dias (3 noites), no programa por Anavilhanas)

Área da piscina do Mirante do Gavião Amazon Lodge: conforto e sofisticação em meio à floresta e à cidade de Novo Airão
Área da piscina do Mirante do Gavião Amazon Lodge: conforto e sofisticação junto à floresta e à cidade de Novo AirãoSofia Cerqueira/VEJA

Onde o luxo e a floresta ficam lado a lado

Uma forma especial de fechar a viagem à Amazônia, depois de alguns dias de imersão naquele bioma navegando em um barco, é se hospedar em um lugar que junta de forma harmoniosa luxo e natureza. Assim é o Mirante do Gavião Amazon Lodge, um hotel de alto padrão na cidade de Novo Airão, às margens do Rio Negro, em frente a um trecho do Parque Nacional de Anavilhanas.

Dentro do conceito de ecoturismo e com uma bela arquitetura sustentável, o local convida seus hóspedes a relaxarem em uma piscina de borda infinita ou no spa, emoldurados por vasta vegetação. Só para se ter uma ideia do cuidado com o projeto, o Mirante do Gavião, embora abranja uma área de 30 000 metros quadrados, em meio à floreta nativa, optou por ter apenas treze bangalôs.

Aberto em 2014, o hotel foi totalmente renovado no ano passado, privilegiando, mais uma vez, nas áreas comuns e no design interior, materiais da floresta e peças feitas por artistas locais. À mesa, a experiência ali também é elevada. O Restaurante Camu-Camu fica a cargo de Débora Shornik, a mesma chef do prestigiado Caxiri, em Manaus, e serve um menu à la carte que destaca os ingredientes amazônicos com vários pratos com peixes. Dali, ainda é possível partir para vários passeios na floresta. Motivos que fazem do Mirante do Gavião, mais do que apenas o local de desembarque das expedições da Katerre, mas um destino e tanto. Site – https://mirantedogaviao.com.br/br/

 

Siga também no Instagram o perfil @omundodesofia_cerqueira Com o olhar cultivado em redações por mais de 30 anos, convido você a viajar pelo mundo, por aqui. Nesse amplo e diversificado roteiro, cabem um destino encantador, uma suíte especial, uma experiência única, uma curiosidade do setor e tudo mais que possa instigar quem está de malas prontas ou sonha em pôr o pé na estrada.

 

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Fonte: veja.abril.com.br

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