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Marco Rubio recebe chanceler de Lula e outros ministros do G20 em cúpula que promete tensão

Secretário de Estado americano lidera ala do governo Trump favorável ao clã Bolsonaro; outros temas espinhosos à mesa incluem guerras na Ucrânia e Irã

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, receberá nesta sexta-feira, 30, seus homólogos do G20, incluindo o russo Sergei Lavrov, em um encontro que deve ser tenso devido às guerras na Ucrânia e no Irã. Também comparecerá o chanceler Mauro Vieira, em uma momento de estresse nas relações entre Washington e Brasília devido ao questionamento do presidente Donald Trump sobre a legitimidade das eleições brasileiras e a acolhida ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em Miami, que violou ordem para não deixar o país e fugiu após a derrota eleitoral.

A reunião dos ministros das Relações Exteriores em Atlanta, no estado da Geórdia, a poucos dias das cruciais midterms, eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, estabelecerá as bases para a cúpula de líderes do G20 de dezembro, na Flórida, em um dos resorts de golfe de Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve comparecer, no que seria o primeiro encontro entre os dois chefes de Estado desde a abertura da nova crise diplomática.

Em comunicado publicado na noite de quinta-feira 29, o Itamaraty confirmou que Vieira estará em Atlanta.

“Durante os dois dias de evento, o ministro participará de três sessões de trabalho, sobre questões geopolíticas, energia e cadeias de suprimento. Manterá, ainda, reuniões bilaterais com seus homólogos”, acrescentou a nota, sem especificar quais encontros bilaterais estão na agenda.

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Ao longo das tratativas entre os governos brasileiro e americano sobre o tarifaço de Trump, Rubio assumiu protagonismo na interlocução e pressão sobre a administração de Lula, por quem ele não esconde inimizade. Enquanto isso, sua ala do governo e o Departamento de Estado estendem a simpatia ao clã Bolsonaro e tem se articulado com o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), autoexilado nos Estados Unidos desde março de 2025, durante a ofensiva de Washington contra Brasília.

Filho de imigrantes cubanos e conhecido por sua postura anticastrista, Rubio construiu a carreira política com forte atuação sobre a América Latina. Antes de chegar ao Departamento de Estado, foi senador pela Flórida por mais de uma década e se tornou uma das principais vozes republicanas sobre a região. Nesse período, fez do combate aos regimes esquerdistas de Cuba, Venezuela e Nicarágua uma das marcas de sua atuação, característica que leva agora para a estratégia de Washington para o Hemisfério Ocidental.

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A ida de Flávio para os Estados Unidos, em meio a uma série de investigações no Brasil, deixa o cenário ainda mais delicado para as relações entre os países. O jornal The New York Times apurou que a operação de fuga só ocorreu porque o presidente Trump garantiu que o senador pudesse entrar em território americano sob uma permissão de acolhida humanitária (“humanitarian parole“) e que Jason Miller, conselheiro e estrategista do republicano, teria providenciado o jatinho que ele e a família pegaram na Argentina rumo a Miami.

Mais impasses à vista

Poucos avanços são esperados esta semana por parte do grupo das 20 principais economias do planeta, que inclui China, Índia, Rússia, Japão, Alemanha e França, devido às divergências a respeito da guerra na Ucrânia e das consequências do conflito com o Irã.

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A Rússia foi isolada pela maior parte do Ocidente após a invasão do território ucraniano em 2022, e o próprio Lavrov continua sujeito a sanções internacionais.

O encontro de Rubio com Lavrov, que já desembarcou nos Estados Unidos, segundo a imprensa estatal, será acompanhado de perto. A conversa acontece antes das novas negociações entre Moscou, Kiev e Washington em novembro.

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O governo dos Estados Unidos busca a via diplomática para encerrar o conflito na Ucrânia, ao mesmo tempo que solicita a cooperação do Kremlin para controlar os preços dos combustíveis, um tema crucial da campanha para as midterms. Trump recentemente flexibilizou sanções contra a Rússia e fechou um acordo para comprar mais de 2 milhões de barris de diesel, na esperança de reduzir os valores nas bombas de gasolina para os americanos.

O governo Trump, que está a ponto de ceder o mandato rotativo do G20 ao Reino Unido, considera que a plataforma se desviou de sua missão principal. Washington comprometeu-se a devolver ao fórum o objetivo de impulsionar o crescimento econômico, argumentando que a segurança internacional e a prosperidade financeira estão “intimamente relacionadas”.

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Fonte: veja.abril.com.br

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