Guarda do Irã afirma estar com 'mão no gatilho' para responder qualquer ataque dos EUA e Israel

Apesar do início da trégua na guerra no Oriente Médio, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira (8) estar pronta para responder a qualquer novo ataque e alertou os parceiros regionais dos Estados Unidos contra qualquer cooperação. A Guarda disse que suas forças estavam'com as mãos no gatilho' e preparadas para agir caso os erros de cálculo do inimigo se repetissem. 'Não confiamos nas promessas do inimigo', afirmou, acrescentando que 'qualquer agressão será respondida com uma resposta ainda mais contundente'. O comunicado também alertou os parceiros regionais, afirmando que eles 'viram a incapacidade' dos Estados Unidos e de Israel e que deveriam 'aprender com a experiência e encerrar a cooperação'. Os comentários surgem após o cessar-fogo, com incidentes a continuarem por toda a região, incluindo um ataque à refinaria iraniana de Lavan e ataques com drones que causaram danos no Kuwait, enquanto os Emirados Árabes Unidos afirmaram que as suas defesas aéreas estavam a responder a uma ameaça de mísseis. Reunião agendada para sexta-feira (10) Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca. BRENDAN SMIALOWSKI / AFP Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir na sexta-feira (10) no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado nesta terça-feira (7) entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano. A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. Os americanos anunciaram a interrupção imediata dos ataques e garantiram que Israel faria o mesmo. Em troca, Teerã anunciou a reabertura da rota estratégica, por onde passa um quinto da produção global de petróleo e gás. Trump confirmou que recebeu uma proposta de Teerã com 10 pontos, que incluem a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções americanas. O plano exige o fim das agressões americanas e israelenses; a aceitação do enriquecimento de urânio do Irã; e a revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, relativas ao programa nuclear iraniano. A proposta também cobra “compensação integral” pelos danos da guerra; a retirada de todas as forças de combate americanas das bases no Oriente Médio; e o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano. O presidente dos Estados Unidos, que prometia uma vitória incondicional, disse que considera a proposta do Irã uma base viável para negociação. Para o vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, um dos pontos sensíveis nesses 15 dias será o controle sobre o Estreito. Após o anúncio da trégua, as cotações do petróleo despencaram. O preço do barril caiu 18%, da faixa dos US$ 110 para US$ 90. No mercado financeiro, as ações subiram e o dólar caiu. As bolsas asiáticas também estão fechando no positivo. No Japão e na Coreia do Sul, os principais índices subiram mais de 5%. Nesta madrugada, o presidente Donald Trump disse na rede social dele que os Estados Unidos ajudarão o Irã a desafogar o tráfego de navios acumulados no Estreito de Ormuz. Contrariando o discurso apocalíptico de mais cedo, o republicano afirmou que a terça-feira foi “um grande dia para a Paz Mundial”. Em Teerã, manifestantes saíram às ruas para celebrar o acordo e protestar contra os Estados Unidos e Israel. Apesar do anúncio do acordo de cessar-fogo, as forças de Israel mantiveram a ofensiva aérea contra o território persa na madrugada desta quarta-feira (8). Os iranianos também continuaram a disparar mísseis e drones contra Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Em Abu Dhabi, uma unidade de processamento de gás pegou fogo após ser bombardeada. Em outra frente, Israel voltou a atacar posições do Hezbollah em cidades no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que acatará o cessar-fogo em relação ao Irã, mas manterá a ofensiva contra o Líbano. Destruição de universidade Sharif, no Irã. Reprodução

Guarda do Irã afirma estar com 'mão no gatilho' para responder qualquer ataque dos EUA e Israel

Apesar do início da trégua na guerra no Oriente Médio, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira (8) estar pronta para responder a qualquer novo ataque e alertou os parceiros regionais dos Estados Unidos contra qualquer cooperação. A Guarda disse que suas forças estavam'com as mãos no gatilho' e preparadas para agir caso os erros de cálculo do inimigo se repetissem. 'Não confiamos nas promessas do inimigo', afirmou, acrescentando que 'qualquer agressão será respondida com uma resposta ainda mais contundente'. O comunicado também alertou os parceiros regionais, afirmando que eles 'viram a incapacidade' dos Estados Unidos e de Israel e que deveriam 'aprender com a experiência e encerrar a cooperação'. Os comentários surgem após o cessar-fogo, com incidentes a continuarem por toda a região, incluindo um ataque à refinaria iraniana de Lavan e ataques com drones que causaram danos no Kuwait, enquanto os Emirados Árabes Unidos afirmaram que as suas defesas aéreas estavam a responder a uma ameaça de mísseis. Reunião agendada para sexta-feira (10) Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca. BRENDAN SMIALOWSKI / AFP Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir na sexta-feira (10) no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado nesta terça-feira (7) entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano. A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. Os americanos anunciaram a interrupção imediata dos ataques e garantiram que Israel faria o mesmo. Em troca, Teerã anunciou a reabertura da rota estratégica, por onde passa um quinto da produção global de petróleo e gás. Trump confirmou que recebeu uma proposta de Teerã com 10 pontos, que incluem a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções americanas. O plano exige o fim das agressões americanas e israelenses; a aceitação do enriquecimento de urânio do Irã; e a revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, relativas ao programa nuclear iraniano. A proposta também cobra “compensação integral” pelos danos da guerra; a retirada de todas as forças de combate americanas das bases no Oriente Médio; e o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano. O presidente dos Estados Unidos, que prometia uma vitória incondicional, disse que considera a proposta do Irã uma base viável para negociação. Para o vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Roberto Goulart Menezes, um dos pontos sensíveis nesses 15 dias será o controle sobre o Estreito. Após o anúncio da trégua, as cotações do petróleo despencaram. O preço do barril caiu 18%, da faixa dos US$ 110 para US$ 90. No mercado financeiro, as ações subiram e o dólar caiu. As bolsas asiáticas também estão fechando no positivo. No Japão e na Coreia do Sul, os principais índices subiram mais de 5%. Nesta madrugada, o presidente Donald Trump disse na rede social dele que os Estados Unidos ajudarão o Irã a desafogar o tráfego de navios acumulados no Estreito de Ormuz. Contrariando o discurso apocalíptico de mais cedo, o republicano afirmou que a terça-feira foi “um grande dia para a Paz Mundial”. Em Teerã, manifestantes saíram às ruas para celebrar o acordo e protestar contra os Estados Unidos e Israel. Apesar do anúncio do acordo de cessar-fogo, as forças de Israel mantiveram a ofensiva aérea contra o território persa na madrugada desta quarta-feira (8). Os iranianos também continuaram a disparar mísseis e drones contra Israel, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Em Abu Dhabi, uma unidade de processamento de gás pegou fogo após ser bombardeada. Em outra frente, Israel voltou a atacar posições do Hezbollah em cidades no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que acatará o cessar-fogo em relação ao Irã, mas manterá a ofensiva contra o Líbano. Destruição de universidade Sharif, no Irã. Reprodução