Mercado de produtos ilegais bate recorde no Brasil em 2025

Se eu te disser que vamos falar sobre mercadoria ilegal, é possível que imediatamente você associe essa conversa a vendedores ambulantes, camelôs e pequenos comércios que vendem itens de marca falsificados. Talvez você fale dos cigarros do Paraguai ou da história das bebidas adulteradas, que viraram notícia no ano passado. Mas a ilegalidade de produtos no Brasil vai muito além disso. Os números falam por si. Dados da Associação Brasileira de Combate à Falsificação apontam que o prejuízo da pirataria no Brasil bateu recorde em 2025, superando R$ 514 bilhões. Um outro dado mais alarmante, da Confederação Nacional do Comércio, fala em até R$ 1,5 trilhão movimentado pela economia ilegal no país. A diferença entre as cifras mostra bem a dificuldade que existe em mapear de fato o quanto de mercadoria ilegal circula pelo Brasil. Mas antes de entrar a fundo nisso, eu comecei a entender essa história do começo. Por que as pessoas compram tanta coisa falsificada? Afinal, se há vendedores, há compradores. "A necessidade de se ter um olhar de que os valores dos produtos de marca têm um valor fora do acesso do poder aquisitivo do brasileiro. É essa a realidade. Nós vivemos um momento histórico político-econômico, onde a nossa moeda tem um baixo valor, onde os nossos salários são baixos, onde o acesso a esses produtos é cada vez mais limitado. Então, a gente tem que analisar sob uma outra ótica. É um olhar que deve ser perfeito. Deve ser um olhar com base na questão sociológica, cultural. E, obviamente, eu não sou maluco de achar que não tem que se combater a pirataria e a contratação. Lógico que nós não podemos tolerar. Mas há de se ter um olhar diferenciado". A explicação é do Armando Rovai, professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A economista e planejadora financeira Isabel Abreu aprofunda o debate. Ela explica que a economia de dinheiro com a compra de um produto falso logo pode se transformar em prejuízo. "Do ponto de vista financeiro, isso é um erro de cálculo muito comum. A pessoa vende um produto com um terço do preço. Enxerga uma economia. Só que a economia de verdade se mede no resultado final, não só no preço da etiqueta. Um produto falsificado quebra rápido, não tem garantia, não tem conserto. Você compra de novo, de novo e de novo. E quando você soma tudo isso, muitas vezes você gastou mais do que teria gastado comprando uma peça original uma vez só. Isso é o que a gente chama de custo invisível. Ele não aparece na hora da compra, mas aparece no seu bolso com o passar do tempo, logo depois. E tem um segundo ponto também, que é ainda mais sério. A saúde e a segurança. Um eletrônico que pode dar curto. Cosmético com uma composição duvidosa, desconhecida. Um remédio sem controle nenhum. Isso é um risco que nenhuma economia de preço compensa". Não por acaso, os dados corroboram as falas dos especialistas. Itens de vestuário, calçados e eletrônicos lideram em volume de consumo de produtos falsos. No setor esportivo, por exemplo, 34% das vendas já correspondem a produtos não originais.

Mercado de produtos ilegais bate recorde no Brasil em 2025

Se eu te disser que vamos falar sobre mercadoria ilegal, é possível que imediatamente você associe essa conversa a vendedores ambulantes, camelôs e pequenos comércios que vendem itens de marca falsificados. Talvez você fale dos cigarros do Paraguai ou da história das bebidas adulteradas, que viraram notícia no ano passado. Mas a ilegalidade de produtos no Brasil vai muito além disso. Os números falam por si. Dados da Associação Brasileira de Combate à Falsificação apontam que o prejuízo da pirataria no Brasil bateu recorde em 2025, superando R$ 514 bilhões. Um outro dado mais alarmante, da Confederação Nacional do Comércio, fala em até R$ 1,5 trilhão movimentado pela economia ilegal no país. A diferença entre as cifras mostra bem a dificuldade que existe em mapear de fato o quanto de mercadoria ilegal circula pelo Brasil. Mas antes de entrar a fundo nisso, eu comecei a entender essa história do começo. Por que as pessoas compram tanta coisa falsificada? Afinal, se há vendedores, há compradores. "A necessidade de se ter um olhar de que os valores dos produtos de marca têm um valor fora do acesso do poder aquisitivo do brasileiro. É essa a realidade. Nós vivemos um momento histórico político-econômico, onde a nossa moeda tem um baixo valor, onde os nossos salários são baixos, onde o acesso a esses produtos é cada vez mais limitado. Então, a gente tem que analisar sob uma outra ótica. É um olhar que deve ser perfeito. Deve ser um olhar com base na questão sociológica, cultural. E, obviamente, eu não sou maluco de achar que não tem que se combater a pirataria e a contratação. Lógico que nós não podemos tolerar. Mas há de se ter um olhar diferenciado". A explicação é do Armando Rovai, professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A economista e planejadora financeira Isabel Abreu aprofunda o debate. Ela explica que a economia de dinheiro com a compra de um produto falso logo pode se transformar em prejuízo. "Do ponto de vista financeiro, isso é um erro de cálculo muito comum. A pessoa vende um produto com um terço do preço. Enxerga uma economia. Só que a economia de verdade se mede no resultado final, não só no preço da etiqueta. Um produto falsificado quebra rápido, não tem garantia, não tem conserto. Você compra de novo, de novo e de novo. E quando você soma tudo isso, muitas vezes você gastou mais do que teria gastado comprando uma peça original uma vez só. Isso é o que a gente chama de custo invisível. Ele não aparece na hora da compra, mas aparece no seu bolso com o passar do tempo, logo depois. E tem um segundo ponto também, que é ainda mais sério. A saúde e a segurança. Um eletrônico que pode dar curto. Cosmético com uma composição duvidosa, desconhecida. Um remédio sem controle nenhum. Isso é um risco que nenhuma economia de preço compensa". Não por acaso, os dados corroboram as falas dos especialistas. Itens de vestuário, calçados e eletrônicos lideram em volume de consumo de produtos falsos. No setor esportivo, por exemplo, 34% das vendas já correspondem a produtos não originais.