Por trás da reestruturação, há uma crise financeira que deve ser sanada com corte de 9.000 vagas e nova estratégia até 2035
A fabricante alemã Porsche apresentou nesta quarta-feira, 7, durante seu Capital Markets Day no Centro de Desenvolvimento de Weissach, o plano estratégico Sportwagenschmiede ’35, que estabelece diretrizes operacionais e metas financeiras até 2035. O programa tem como objetivo reduzir custos, elevar a rentabilidade e ajustar a capacidade operacional da montadora, sob a diretriz de priorizar margens financeiras em detrimento do volume bruto de entregas.
Como parte central da reorganização, a empresa formalizou um acordo trabalhista que prevê o corte de 9.000 postos de trabalho de forma negociada, acompanhado do compromisso de manter a estabilidade do quadro essencial até 2035. O plano projeta ainda a supressão de 40% dos cargos de gestão e uma redução de 25% a 30% na força de trabalho direta e indireta no médio prazo.
Em paralelo, a companhia iniciou a alienação de ativos secundários para concentrar recursos em sua atividade principal, incluindo a venda de fatias na Rimac e na Bugatti Rimac, o acordo para venda da consultoria MHP e a descontinuação das operações industriais da Cellforce Group, da Porsche eBike Performance e da Cetitec. As subsidiárias Porsche Engineering e Porsche Digital serão integradas sob a estrutura da Porsche Technologies.
No balanço financeiro, a montadora projeta alcançar uma receita anual entre 41 bilhões e 45 bilhões de euros no médio prazo. A companhia definiu a meta de baixar seu ponto de equilíbrio para menos de 200.000 veículos vendidos, patamar fundamentado em projeções conservadoras para o mercado chinês. A margem de retorno operacional sobre as vendas foi estipulada entre 10% e 15% no médio prazo, com meta estratégica de 15% no longo prazo.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Porsche AG, Michael Leiters, as ações priorizam o saneamento das contas: “No momento, o foco principal reside na redução de custos e em tornar a empresa financeiramente mais robusta”. O diretor financeiro e de TI, Jochen Breckner, declarou que o avanço nos resultados apoia-se em “um valor superior por veículo, um mix de produtos mais atrativo e uma base de custos e capital sustentavelmente mais eficiente”.
Na divisão de produtos, a fabricante reduzirá em cerca de 20% as variantes de modelos para conter a complexidade de desenvolvimento, elevando a participação dos segmentos superiores D e E no portfólio. No cronograma industrial, os modelos 718 Boxster e Cayman elétricos têm previsão de atingir seu primeiro ano pleno de comercialização em 2028. Também para 2028 está programada a apresentação de um novo SUV do segmento B com motorização a combustão e híbrida plug-in, que coexistirá com o Macan elétrico. A estratégia prevê a continuidade de aportes conjuntos em motores a combustão interna, propulsores híbridos e novas baterias.
(Com AFP)
Fonte: veja.abril.com.br