Aliados responsabilizam presidente americano pela vitória democrata e citam guerra no Irã, inflação e tarifas entre as causas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta pressão de integrantes de seu próprio partido para mudar os rumos do governo após a derrota republicana nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira, 3.
Com a perda do controle das duas Casas do Congresso para os democratas, aliados e estrategistas do partido Republicano pedem uma reorganização da equipe da Casa Branca e a revisão de políticas que consideram responsáveis pelo desgaste nas urnas, entre elas a guerra contra o Irã e as tarifas de importação, segundo a agência de notícias Reuters.
O estrategista republicano John Feehery classificou o resultado como um grande desastre para o presidente e defendeu mudanças em sua equipe. “Ele precisa limpar a casa”, disse. “A cada dia a partir de agora, ele está se tornando cada vez mais enfraquecido.”
A culpa é dele. Não é de mais ninguém. É uma rejeição total e completa ao presidente Trump, afirmou Bill Miller, lobista republicano do Texas, à emissora BBC. Isto é um desastre de proporções inimagináveis. Ninguém previu que isso aconteceria, acrescentou.
O deputado republicano Don Bacon também responsabilizou o presidente. Em declaração à agência de notícias AFP, ele citou os preços dos combustíveis, as tarifas comerciais, a relação com aliados internacionais e a aproximação com Vladimir Putin . Ninguém na Casa Branca está disposto a dizer a verdade ao presidente, afirmou.
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Apesar das cobranças, Trump deu poucos sinais de que pretende mudar sua postura. Em entrevista à emissora Fox News na noite da eleição, o presidente disse não considerar o resultado uma derrota pessoal. Não vejo isso como um golpe contra mim, afirmou.
Guerra no Irã e custo de vida pesam na derrota
A guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro após ataques dos Estados Unidos e de Israel, aparece entre os principais fatores apontados para o resultado das eleições. O conflito elevou a preocupação com os preços dos combustíveis e agravou a insatisfação com o custo de vida.
O vice-presidente J.D. Vance atribuiu à guerra a derrota republicana. A razão pela qual perdemos foi a guerra, escreveu no X. Mais tarde, Trump admitiu que a avaliação era em grande parte verdadeira.
Jovens e latinos se afastam do partido
A votação também indicou um recuo republicano entre grupos que haviam ampliado o apoio a Trump em 2024. Estimativas citadas pelo New York Times apontam uma mudança superior a 30 pontos percentuais entre os eleitores jovens em relação à eleição presidencial, especialmente entre homens.
O voto latino também apresentou uma reversão. Depois de alcançar em 2024 seu melhor desempenho histórico entre esses eleitores, os republicanos perderam parte desse apoio. Vanessa Cárdenas, diretora-executiva da organização America’s Voice, afirmou à AFP que as ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) contra imigrantes, inclusive pessoas em situação regular, contribuíram para afastar eleitores latinos.
Trump minimizou o resultado. Meu nome não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora!, escreveu na Truth Social. Em entrevistas à Fox News e ao New York Times, o presidente americano disse que aceitaria os resultados e lembrou que o partido do presidente costuma perder espaço nas eleições de meio de mandato. Desde 1934, a legenda que ocupa a Casa Branca só conseguiu ganhar cadeiras em três dessas disputas.
Futuro dos republicanos
A perda das duas Casas do Congresso deve dificultar a agenda de Trump na segunda metade do mandato. Com os democratas no comando do Legislativo, o presidente terá de enfrentar uma oposição fortalecida, capaz de bloquear propostas e ampliar a fiscalização sobre seu governo.
O resultado também antecipa a disputa pela sucessão em 2028. Nomes como J.D. Vance, Marco Rubio e Ted Cruz já aparecem nas conversas sobre possíveis candidatos.
Fonte: veja.abril.com.br