A Fiscalía General del Estado do Paraguai, o órgão similar a Procuradoria Geral da República do país, prepara uma denúncia criminal formal e investigação contra o presidente Santiago Peña. A informação foi confirmada pelo jornal ABC Color com fontes do MP. A investigação se concentra em supostas irregularidades relacionadas ao esquema financeiro do Banco Ueno, ao uso de fundos de pensão do Instituto de Seguridade Social e às transações de empréstimos com condições favoráveis

A Fiscalía General del Estado do Paraguai, o órgão similar a Procuradoria Geral da República do país, prepara uma denúncia criminal formal e investigação contra o presidente Santiago Peña. A informação foi confirmada pelo jornal ABC Color com fontes do MP. A investigação se concentra em supostas irregularidades relacionadas ao esquema financeiro do Banco Ueno, ao uso de fundos de pensão do Instituto de Seguridade Social e às transações de empréstimos com condições favoráveis que levaram ao fechamento do banco. O caso acontece em meio aos primeiros debates na Câmara nesta quinta sobre impeachment, aumentando a pressão jurídica contra ele. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, convocou para esta quinta-feira (5) duas sessões extraordinárias para debater o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña e, logo em seguida, o processo contra o vice-presidente Pedro Alliana. O caso acontece após o processo de resolução do Banco Ueno, que gerou críticas e protestos pela população. A primeira resolução tem apenas um único item na pauta. Se trata do projeto de resolução que acusa formalmente Santiago Peña Palacios perante o Senado. Os dois projetos foram apresentados por diversos deputados e encaminhados à Comissão de Assuntos Constitucionais. Intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank gera crise que ultrapassa setor bancário Manifestantes protestam no Paraguai após quebra do Ueno Bank Daniel Duarte/AFP A intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank desencadeou uma crise ultrapassou o setor bancário. A deterioração da situação financeira da instituição levou à abertura de um processo de resolução, à mobilização do fundo garantidor de depósitos e à renúncia de Carlos Carvallo, presidente da autoridade monetária. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou medidas para ressarcir os clientes afetados pela dissolução do Ueno, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de três milhões de clientes. O governo também indicou um novo presidente para o Banco Central, após a renúncia de Carlos Carvallo. A decisão ocorre depois que milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção ontem para exigir acesso ao próprio dinheiro. A instituição, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, é alvo de investigações e enfrenta problemas financeiros. O banco perdeu mais da metade do dinheiro exigido por lei para garantir o pagamento de dívidas. Peña afirmou que se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado para apresentar um projeto de lei para cobrir 98% de todos os acionistas da instituição afetada. Os pagamentos devem começar a ser depositados nesta semana: "Estou plenamente consciente de que milhares de paraguaios estão preocupados com os sucessos de ontem gerados pela decisão do Banco Central do Paraguai de proceder com a dissolução do Banco. Entendo a incerteza que causa e sei dos esforços de milhares de paraguaios. Por isso, a prioridade do governo será proteger com todas as nossas forças o fruto desse trabalho e gerar respostas concretas, rápidas e responsáveis", afirmou. Além disso, aplicativos e cartões deixaram de funcionar, prejudicando inclusive aposentados que recebem benefícios do governo por meio do banco. Segundo o jornal paraguaio "La Nación", oito diretores do Ueno Bank foram presos durante o processo de intervenção e dissolução da instituição financeira. Eles foram levados para prestar depoimento no Ministério Público, que investiga suspeitas de fraude, quebra de confiança e outras práticas que podem ter contribuído para a falência da instituição. O fechamento do Ueno está afetando empresas que passaram a depender do banco digital no Paraguai. A associação de importadores e varejistas do país alertou para uma "semiparalisação" do comércio, afirmando que dois terços das transações eletrônicas nas grandes lojas de varejo eram feitos por meio de contas no banco.
Fonte: cbn.globo.com