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Carros camuflados, jatos, ajuda dos EUA: jornal argentino detalha fuga de Flávio Bolsonaro

Segundo o Clarín, operação para levar o senador aos Estados Unidos mobilizou seis veículos, rotas aéreas alternativas e apoio de governos estrangeiros

Seis carros, pelo menos três jatos particulares e uma operação de despiste que teria envolvido agentes americanos e integrantes do governo argentino. A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mobilizou uma estrutura logística para retirá-lo do Brasil sem que seu paradeiro fosse identificado. Os detalhes foram revelados pelo jornal argentino Clarín em reportagem publicada na sexta-feira, 30, que reconstruiu os bastidores da viagem até Miami.

Segundo o relato, seis veículos diferentes deixaram, em sequência, a residência da família em Brasília. A estratégia seria confundir possíveis monitoramentos e dificultar a identificação do automóvel que transportava Flávio, a mulher e as duas filhas. Eles percorreram por terra mais de 1.600 quilômetros até a região de Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina, em uma viagem que teria exigido mais de vinte horas de estrada.

O deslocamento por rodovias não fazia parte do plano inicial. De acordo com o Clarín, a família havia contratado um jato particular para viajar de Brasília até a região da tríplice fronteira. O proprietário da aeronave, porém, se recusou a cumprir o acordo depois que veio a público a decisão judicial que proibia Flávio de deixar o Brasil e determinava a entrega de seus passaportes. Diante da recusa e da proximidade do horário previsto para a saída, o grupo teria optado pelo trajeto terrestre, com o apoio de uma estrutura internacional.

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Jatos particulares e rotas de despiste

A operação também teria mobilizado pelo menos três aeronaves particulares, podendo chegar a quatro, segundo a reportagem. O principal avião, um Gulfstream IV de matrícula argentina LV-JQW, partiu do aeroporto de San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires, na noite de segunda-feira, 26, com destino a Puerto Iguazú, na província de Misiones. A aeronave permaneceu no local até a madrugada de quarta-feira, 28, quando Flávio e a família embarcaram rumo aos Estados Unidos.

Outro avião, um Learjet 45 de matrícula LV-JZQ, havia pousado no mesmo aeroporto na manhã de terça-feira, 27, e retornado a Buenos Aires horas depois. A movimentação ocorreu cerca de doze horas antes da chegada da família ao local e, segundo o Clarín, pode ter funcionado como uma manobra de distração.

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Dois outros jatos com matrículas americanas também apareceram em registros de voos com destino a Posadas, capital de Misiones. Eram um Gulfstream V, de matrícula N776MA, e um Gulfstream IV, identificado como N772MS. Um deles teria apresentado um plano de voo enganoso e seguido para Assunção, no Paraguai, onde permaneceu antes de retornar à Flórida. O jornal, porém, afirma que não foi possível determinar com certeza qual das duas aeronaves realizou o desvio.

A intenção, segundo as fontes ouvidas pela publicação, era manter alternativas de transporte caso o plano original fosse comprometido. Os deslocamentos dos aviões teriam sido coordenados para dificultar a identificação da aeronave efetivamente utilizada pela família. Uma das possibilidades de saída seria justamente pelo Paraguai.

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Agentes americanos teriam atuado em aeroporto argentino

Segundo o Clarín, agentes ou representantes americanos atuaram no aeroporto de Puerto Iguazú, coordenaram procedimentos de embarque e afastaram temporariamente funcionários da Polícia de Segurança Aeroportuária, da imigração e da alfândega argentinas.

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A família teria chegado ao local por um acesso reservado que permitia a entrada direta na pista. Flávio e os familiares já estariam dentro do Gulfstream IV havia mais de quarenta minutos quando uma caminhonete branca com vidros escurecidos apareceu na área de embarque. As imagens do veículo levaram observadores a acreditar que o senador e seus familiares estavam a bordo, quando, segundo a reconstrução do jornal, já aguardavam dentro da aeronave.

O plano também teria contado com a colaboração de integrantes do governo argentino. De acordo com o Clarín, o presidente Javier Milei determinou que seu principal assessor, Santiago Caputo, viajasse discretamente à província de Misiones para garantir as condições necessárias à saída do senador. A reportagem afirma ainda que um ex-integrante da agência antidrogas americana (DEA) e outros agentes de segurança foram autorizados a participar da missão.

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O jornal também relata que foram utilizados veículos com placas destinadas a dificultar a identificação e que canais de comunicação teriam sido estabelecidos entre agentes de inteligência argentinos e estrangeiros. O aeroporto e seus arredores funcionariam, durante a operação, como áreas de acesso controlado.

Jason Miller e a versão de Marco Rubio

A participação de integrantes do governo de Donald Trump na saída de Flávio do Brasil também foi mencionada pelo The New York Times. O jornal americano identificou Jason Miller, integrante da equipe de comunicação da Casa Branca e aliado da família Bolsonaro, como responsável por organizar parte da logística do voo que levou o senador aos Estados Unidos. Segundo uma fonte ouvida pelo periódico, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, manteve contato com Miller durante a preparação da viagem.

A aeronave partiu da Argentina na noite de terça-feira, 27, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami na manhã seguinte. O envolvimento de Miller também foi noticiado pelo Wall Street Journal. A Casa Branca não confirmou publicamente sua participação na contratação do avião.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, negou que o governo dos Estados Unidos tenha facilitado a saída de Flávio do Brasil. Em declaração a jornalistas no sábado, 31, durante uma reunião preparatória para o G20, em Atlanta, ele afirmou que Washington não participou dos preparativos da viagem.

Não facilitamos nada, disse Rubio. Segundo o secretário, o governo americano soube que o senador chegaria ao país e que ele já tinha um visto. Rubio afirmou, no entanto, que Trump havia decidido autorizar sua entrada nos Estados Unidos caso chegasse a um posto de imigração. O presidente teria garantido ao brasileiro uma autorização temporária de permanência, conhecida como parole.

A possível atuação de autoridades americanas na operação também provocou questionamentos no Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares democratas encaminharam uma série de perguntas a Rubio sobre o eventual envolvimento de funcionários do governo Trump na saída de Flávio do Brasil, na passagem pela Argentina e na escala no Equador. Entre os pontos levantados estão a participação de agentes americanos nos três países e o papel da Casa Branca na organização do transporte. Segundo o Clarín, o secretário deverá responder aos questionamentos até 13 de novembro.

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Fonte: veja.abril.com.br

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