Arábia Saudita e Malásia se juntam a China, Chile e México nas restrições às exportações de produtos avícolas
O Brasil enfrenta novas restrições às exportações de carne de frango e outros produtos avícolas após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A Arábia Saudita e a Malásia anunciaram a suspensão temporária de importações nesta quarta-feira, 21, elevando para cinco o número de países que adotaram medidas sanitárias contra produtos brasileiros. As restrições também envolvem China, Chile e México, segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As medidas, entretanto, têm abrangências diferentes. A Malásia e o México suspenderam importações provenientes de todo o território brasileiro, enquanto Arábia Saudita, China e Chile limitaram as restrições aos produtos originários de Santa Catarina, estado que está entre os principais polos produtores e exportadores de carne de frango do país.
A decisão da Arábia Saudita chama a atenção pelo peso do país nas exportações brasileiras. Entre janeiro e setembro de 2026, o mercado saudita comprou aproximadamente 327,8 mil toneladas de carne de frango do Brasil, o equivalente a cerca de 8% do volume exportado no período. Já a Malásia respondeu por menos de 0,5% dos embarques brasileiros. Santa Catarina, onde a doença foi identificada, representa mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango. Por isso, as restrições impostas ao estado podem afetar o fluxo comercial de frigoríficos e produtores que dependem dos mercados internacionais.
Quais países suspenderam as importações?
De acordo com o Ministério da Agricultura, a Malásia interrompeu as compras de carne, produtos cárneos e miúdos de aves provenientes de todo o Brasil. O México também adotou uma suspensão nacional, abrangendo, além desses produtos, aves vivas, ovos férteis, pintinhos de até três dias e determinadas categorias de aves destinadas à comercialização.
Já a Arábia Saudita suspendeu a importação de carne e produtos cárneos de aves produzidos em Santa Catarina. A China adotou restrição semelhante, enquanto o Chile ampliou a lista de produtos afetados no estado, incluindo ovos férteis, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves e ovos destinados ao consumo humano. As restrições foram anunciadas após a confirmação da doença de Newcastle em uma propriedade comercial dedicada à criação de perus, no município de Nova Itaberaba.
O caso foi identificado durante ações de vigilância sanitária. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, amostras foram coletadas em setembro, e os resultados dos exames levaram à adoção de medidas preventivas na propriedade em outubro. A confirmação do foco ocorreu no dia 18.
O que é a doença de Newcastle?
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Sua ocorrência em estabelecimentos comerciais exige a adoção de medidas sanitárias para evitar a disseminação do vírus e pode provocar restrições ao comércio internacional de produtos avícolas.
Após a identificação do foco em Santa Catarina, o Ministério da Agricultura iniciou procedimentos de controle, incluindo a eliminação das aves afetadas, a limpeza e a desinfecção das instalações e o monitoramento de propriedades próximas. A vigilância sanitária abrange Nova Itaberaba e outros três municípios da região: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de acompanhamento, segundo informações divulgadas pela pasta. Apesar da confirmação da doença, o Ministério da Agricultura reforçou que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações.
O Ministério da Agricultura informou que mantém contato com as autoridades sanitárias dos países importadores para apresentar informações técnicas sobre a ocorrência da doença e as medidas adotadas para controlar o foco. O objetivo é avançar nas negociações para a retomada das exportações, respeitando as exigências sanitárias estabelecidas por cada parceiro comercial.
As restrições também podem trazer consequências econômicas para a cadeia produtiva brasileira, especialmente em Santa Catarina, diante da importância do estado nas vendas externas de carne de frango. A dimensão do impacto, entretanto, dependerá da duração das suspensões, da evolução do controle sanitário e da possibilidade de redirecionamento dos embarques para outros mercados.
Fonte: veja.abril.com.br