Eleitores americanos irão às urnas nesta terça para definir se os republicanos manterão o controle do Congresso ou se a maioria ficará com a oposição democrata
Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira, 3, as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, que colocarão em disputa o controle do Congresso. Serão escolhidos os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 das 100 vagas do Senado. O resultado poderá ampliar ou limitar a capacidade do presidente Donald Trump de executar sua agenda até o fim do mandato.
O nome midterms vem do calendário eleitoral americano: a votação ocorre dois anos depois da eleição presidencial, na metade do mandato de quatro anos. Embora o presidente não apareça nas cédulas, a disputa funciona historicamente como um referendo popular sobre o governo e define a composição das duas Casas responsáveis pela elaboração das leis federais.
Na Câmara, todos os deputados precisam passar pelas urnas a cada dois anos. Cada parlamentar representa uma região, chamada de distrito eleitoral, e o número de cadeiras destinado a cada estado é proporcional à sua população. Assim, o controle da casa depende da soma dos resultados dessas disputas locais.
No Senado, cada estado tem dois representantes. Embora o mandato de cada senador dure seis anos, as eleições ocorrem a cada dois anos para renovar cerca de um terço da casa.
Composição atual do Congresso
Os republicanos chegam à votação no comando das duas Casas. Na Câmara, o partido de Trump tem 218 deputados, enquanto os democratas ocupam 214 cadeiras. Com as 435 posições preenchidas, são necessários 218 parlamentares para formar uma maioria.
No Senado, os republicanos possuem 53 cadeiras, contra 45 dos democratas e duas de independentes que se alinham à oposição. Para assumir o controle, o bloco democrata precisa obter um saldo de quatro vagas e chegar a 51. Uma divisão de 50 a 50 favoreceria os republicanos, visto que o vice-presidente J.D. Vance tem o poder de desempatar votações.
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A composição do Congresso também pesa em um eventual processo de impeachment. A Câmara pode aprovar acusações contra o presidente por maioria simples, mas a destituição depende de um julgamento no Senado e do apoio de dois terços dos senadores presentes.
Diversas pesquisas indicam que o Partido Democrata tem tudo para “virar” a Câmara. Um modelo estatístico da revista The Economist apontou que a sigla tem 19 chances em 20 de conquistar a casa mais baixa do legislativo. Segundo o Cook Political Report, uma importante fonte de previsões eleitorais nos Estados Unidos, 40 das 435 cadeiras em disputa são “competitivas” — vencer cerca de metade delas daria aos democratas a maioria.
Campanha eleitoral
Trump tem percorrido o país nas últimas semanas para participar de eventos de campanha e mobilizar eleitores em favor dos candidatos do partido, mas sua baixa aprovação e a insatisfação com o custo de vida dificultam a estratégia. Se mantiverem as duas maiorias, os republicanos terão condições mais favoráveis para avançar com os planos do presidente americano.
+ Os temas que vão ditar a reta final das eleições legislativas nos EUA
Na reta final da campanha, os democratas procuram associar as suspeitas de corrupção no governo Trump às dificuldades financeiras da população. Um levantamento do Navigator Research, organização alinhada aos democratas, indicou que 81% acreditam que a corrupção no governo eleva seus gastos pessoais.
Fonte: veja.abril.com.br