Pagamentos adicionais nas operações com a Diamante dependem da antecipação de contratos de energia previstos para começar apenas em 2031
A saída da Eneva do negócio de geração de energia a carvão ainda pode render mais R$ 616 milhões à companhia. O valor corresponde a pagamentos adicionais previstos nas vendas das usinas termelétricas de Itaqui, no Maranhão, e Pecém II, no Ceará, para a Diamante Energia. As duas operações, concluídas entre agosto e outubro, já colocaram R$ 1,1 bilhão no caixa da empresa, mas parte relevante do valor potencial dos negócios continua condicionada a uma decisão sobre o início dos novos contratos de fornecimento de energia.
A maior fatia está em Itaqui. Além dos R$ 365,3 milhões recebidos na conclusão da operação, a Eneva poderá embolsar até R$ 467 milhões adicionais. Em Pecém II, vendida por R$ 748,4 milhões, há outros R$ 149 milhões condicionados à antecipação contratual. Somados, os pagamentos contingentes representam cerca de 55% do dinheiro já recebido nas duas transações.
O que está em jogo é o intervalo entre o encerramento dos contratos atuais das termelétricas e o início dos novos compromissos firmados no leilão de reserva de capacidade realizado em março. Os contratos existentes de Itaqui e Pecém II terminam em dezembro de 2027 e setembro de 2028, respectivamente. Já os novos, com duração de dez anos, começam apenas em agosto de 2031.
Não se trata de valores desprezíveis para a compradora. Os novos contratos asseguram às duas usinas receitas fixas anuais que somam aproximadamente R$ 1 bilhão, em valores da data-base do leilão. Uma eventual antecipação poderia reduzir o intervalo entre os contratos e ampliar as receitas no período, criando as condições para o pagamento das parcelas adicionais à Eneva.
Por enquanto, porém, os R$ 616 milhões permanecem como uma possibilidade, não como receita garantida. O recebimento depende da antecipação dos contratos, cuja viabilidade regulatória e calendário ainda não estão definidos. Caso os valores sejam integralmente pagos, o dinheiro obtido pela Eneva com as duas operações poderá alcançar aproximadamente R$ 1,73 bilhão, sem considerar o valor dos ativos recebidos na permuta de Itaqui.
Fonte: veja.abril.com.br