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Expor múmias egípcias pode ser politicamente incorreto? Ah, claro

Museu escocês tira restos mortais de exibição por falta de consentimento, numa das muitas maluquices woke que correm o mundo anglo-saxão

Há mais de cem anos, visitantes de um museu da cidade escocesa de Glasgow ouvem o passado de milênios atrás, tal como contado pelos riquíssimos artefatos deixados pela civilização do Egito Antigo. Uma parte dessa história foi tirada de circulação e substituída por um pequeno aviso nas vitrines onde existiam múmias e sarcófagos: Retiramos os despojos humanos dessa mostra em sinal de respeito.

A atitude absurda não saiu do nada. A entidade que administra os museus de Glasgow decidiu que restos mortais só podem ser expostos quando existe um consentimento documentado e informado do indivíduo falecido ou, nas circunstâncias adequadas, de seus descendentes. Na falta disso, acreditamos que remover da exibição restos humanos de egípcios antigos é mais respeitoso com os indivíduos falecidos.

O jornal britânico The Telegraph registrou a reação apoplética de Murdo Fraser, integrante conservador do Parlamento regional escocês: É a loucura woke no seu aspecto mais ridículo. Até as múmias egípcias estão sendo canceladas por uma sociedade tão obcecada pelas sensibilidades modernas que perdeu qualquer senso de perspectiva.

As pessoas visitam museus para aprender sobre civilizações, não para ver a história escondida porque não atende aos padrões ideológicos contemporâneos.

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AVÓS INVASIVOS

É claro que os padrões mudam e hoje é impensável que múmias egípcias sem valor artístico, encontradas em enormes quantidades, fossem moídas para ser usadas como adubo ou em tônicos revigorantes um verdadeiro suco de múmia como no século XIX. Mas a atitude do museu de Glasgow, que esvaziaria partes significativas do Louvre ou do British Museum, leva a extremos os exageros da cultura woke, nascida no mundo anglo-saxão e adjacências e exportada para outros recantos.

Outro exemplo: o governo da República da Irlanda tirou do ar, pelas reações de horror, o filme propagandístico feito por uma instituição de acolhimento a vítimas de estupro no qual uma adolescente faz cara feia para os avós, pintados como velhos invasivos, que querem distribuir repulsivos beijos e abraços. Mensagem: Nem todo mundo quer um abraço. Mesmo das pessoas que os amam. Estranho? Talvez. Importante? Absolutamente.

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Associar avós a atos de invasão corporal, numa referência indireta a abuso sexual, foi demais até para um governo de esquerda.

Lembrando que, ali do lado, a britânica BBC, histórico modelo de todas as emissoras bancadas por dinheiro público, tirou recentemente do ar um artigo em que a tendência a usar esmaltes neutros nas unhas foi associada a padrões de beleza da supremacia branca. Qual o motivo de uma insanidade dessas? Mulheres negras e latinas gostam de unhas mais coloridas e elaboradas, explicava a reportagem. Contexto cultural: as mulheres da aristocracia britânica não pintam as unhas, o que dá argumentos implícitos à maluquice sobre racismo e discriminação de classes da reportagem retirada.

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A revisão do que é aceitável ou não faz parte de todas as sociedades, mas os exageros politicamente corretos podem acabar produzindo efeitos contrários, empurrando opiniões para o campo de exclusão. As mudanças precisam ser compatíveis com o ritmo das sociedades. Até as múmias egípcias devem saber disso. Numa única visita à parte egípcia de um grande museu dá para ver como uma civilização que parecia imutável evoluiu e se transformou, lenta e inexoravelmente. Tentativas de mudanças abruptas foram todas expelidas.

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Fonte: veja.abril.com.br

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