Guia de Roger Armstrong reúne 200 resenhas e discute a evolução da animação japonesa, dos clássicos dos anos 1960 aos fenômenos globais
De Astro Boy a Pokémon, passando por Dragon Ball, Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco, mais de seis décadas de animação japonesa são revisitadas no livro Anime-se³: Animês, de Roger Armstrong. A obra reúne a história de produções que ajudaram a transformar os animês em um dos principais fenômenos da cultura pop mundial e analisa também as mudanças estéticas, tecnológicas e comerciais do setor.
Com coautoria do roteirista e arte-educador Wlady Pereira, o livro combina pesquisa histórica e análise das produções. A primeira parte aborda as origens da animação japonesa, sua expansão pelo mercado asiático e o processo que levou os animês a conquistarem espaço em diferentes países. O guia é destinado para os fãs de cultura pop e outros interessados pela área, como colecionadores.
A chegada dessas produções ao Ocidente ocupa um lugar importante na trajetória dos animês. O autor lembra que muitos títulos enfrentaram censura, preconceito e resistência antes de conquistar uma audiência fiel e formar comunidades de fãs, inclusive, no Brasil.

A parte mais extensa do livro é dedicada às próprias animações. São mais de 200 resenhas que percorrem diferentes momentos da história dos animes e ajudam a mostrar como a produção japonesa mudou ao longo das décadas: tanto do ponto de vista técnico quanto na forma de conquistar mercados fora do Japão.
O recorte começa em títulos como “Astroboy”, de 1963, passa por “King Kong”, de 1966, e “The Adventures of Tom Sawyer”, de 1980, e chega a produções que se tornaram fenômenos entre o público brasileiro. Entre elas estão “Os Cavaleiros do Zodíaco” e “Dragon Ball”, ambos de 1986, “Sailor Moon”, de 1992, e “Pokémon”, de 1997. “Naruto”, um dos animes de maior repercussão internacional das últimas décadas, ganhou um capítulo exclusivo dedicado às transformações provocadas pela série.
Na parte final, os autores Roger Armstrong e Wlady Pereira ampliam o olhar para além das produções e organizam a discussão em doze partes. Entram nesse debate questões como protagonismo feminino, gênero e androginia, o trabalho dos grandes nomes da animação japonesa e o papel desempenhado pelos fãs na divulgação e preservação dessas obras.
A atuação dos fandoms também ocupa espaço no livro, tanto em períodos marcados por censura quanto na era das redes sociais. Os autores analisam ainda como os animes deixaram de depender exclusivamente da televisão e passaram a circular por diferentes plataformas, formatos e comunidades de fãs.
“Animês³: Animes” é o primeiro volume de uma série que pretende abordar também as escolas de animação dos Estados Unidos e da Europa, relacionando cada uma delas à formação cultural de diferentes gerações.
As séries animadas expressam valores, comportamentos, transformações tecnológicas e diferentes visões de mundo, ao mesmo tempo que estabelecem vínculos afetivos duradouros com o público, proporcionando uma sensação de pertencimento e contribuindo para a construção de uma memória coletiva, finaliza Roger Armstrong.
Fonte: veja.abril.com.br