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Monique Lafond, musa dos anos 1980, fala da volta à Globo em Quem ama cuida

Aos 72 anos, atriz é a convidada do programa semanal da coluna GENTE

De volta às novelas após doze anos, numa participação especial em Quem Ama Cuida, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Monique Lafond, 72 anos, interpreta a misteriosa Elena, que guarda segredos do passado de Diná (Rosi Campos). Sua estreia na televisão foi ainda na década de 1970, conquistando espaço em novelas como A Moreninha, Brega & Chique, Que Rei Sou Eu? e Vale Tudo. No cinema, destacou-se em produções como Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão, Paixão e Sombras e Eu Matei Lúcio Flávio, pelo qual recebeu o prêmio de melhor atriz em 1980. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, ganhou o título de musa da pornochanchada. Convidada do programa semanal da coluna GENTE (disponível no canal VEJA+ no Youtube, no streaming da TV Samsung Plus, LG, TCL e Roku), Monique relembra trajetória, fala sobre as dificuldades enfrentadas por atrizes mais velhas para conseguir papéis, reafirma desejo de continuar atuando e recorda de atritos com um antigo diretor da TV Globo. Assista.

 

(A coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)

CONVITE PARA VOLTAR À TV. Walcyr já me deu um presente da minha vida, que foi uma peça infantil, Rapunzel. Falei assim: queria tanto fazer essa bruxa. Estava exausta de fazer princesas e essa coisa da beleza que impactam as pessoas. No final você não quer ficar sabendo que está bela, mas quer sabe que também faz muito bem outros trabalhos. Aí passou quatro anos e ele me disse: A bruxa chegou no Rio. Vai lá. Essa oportunidade que me surgiu agora foi inesperada. Foi escolha do próprio núcleo de recursos artísticos. Olha, vai ser uma participação. De cara claro que aceito, né? Que qualquer um segundo na Globo é ótimo. Me senti pegando um trem a 200 km/h, ali sozinha, num set com cem 100 pessoas.

DIRETOR LOUCO. Fiz A Moreninha, tinha um personagem que ia de cabo a rabo (do começo ao fim da minissérie), em 1975. O diretor era Herval Rossano, aquele louco, tratava mal todo mundo. Mas ali eu estava começando, né? Aceitei. (…)Olha, nessa novela a gente teve problemas… Henriqueta Brieba teve problema, a Nívea Maria também teve… As pessoas ficavam em pânico porque ele era muito grosso. Mas era o cara que fazia 40 cenas por dia. E era novela de época. (…) Ele mandava o ator para o quinto dos infernos, falava que você era um merda, sabe? Ele era de coisa de direção antiga, diretor que botava a gente para baixo. Teve pessoas que não seguiram carreira.

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COMO LIDAVA COM A PRESSÃO. Lidava né… Teve uma época que fiquei muito mal. Não fiquei bem de cabeça. Dei uma surtada. E aí fui fazer terapia. Porque você está ali, está prestando, está dando o seu melhor para as pessoas. E aí não sabe que caminho é esse que quer levar. (Não ter aceitado esse tipo de modelo de trabalho pode ter te prejudicado em algum momento) Acho que sim, porque recebia muitas cantadas lá dentro e não segui. Na Globo mesmo. Ah, você é muito fechada, muito isso, muito aquilo…. Eu dizia: Ué, mas sou assim, quem dera que eu fosse um pouco mais blasé. Mas não, era cascuda.

ASSÉDIO SEXUAL. De diretores e autores. E aí, ou você fingia que não estava percebendo, que era burrinha, ou que não estava nem percebendo a audácia tamanha. Caramba, aí mais tarde, caía a ficha. Não é mesmo que aquele filho da mãe estava me provocando?. Tudo isso fez parte, né? Faz parte. Tem uns que eram educados, mandavam flores e tal. E tem outros que era pa-pum. Era tipo vamos fazer um ménage à trois? Complicado.

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SEM EMPRESÁRIO. Vou te dizer, por exemplo, agora a TV Globo me ligou: quem é o seu agente para ver cachê e contrato?. Eu respondi: Não, meu amor, meu agente sou eu e Deus. E sempre foi, uma época até me ofereci a alguns. (…) Agora, por que não quiseram? Só perguntando a eles.

MUSA DA PORNOCHANCHADA. A tal da beleza é bárbara, mas fica um estigma de que a mulher bonita quer ser seduzida ou está sempre seduzindo. Fica um estereótipo meio Zorra Total. Naquela época, o que era uma personagem? Era um objeto de desejo. A gente era objeto de desejo o tempo inteiro. (…) Hoje em dia não sei se faria para TV aquilo que fiz para cinema. Porque sei que é tudo orquestrado. O balé, uma vai abraçar, o outro vai botar a boca. Antigamente não tinha nada orquestrado. Você ia e o diretor mandava: Olha, vai beijar de língua, não é técnico. A gente combinava uma coisa, mas nada era, tão bem elaborado quanto é hoje. Hoje dá segurança, mas com a idade que estou, não sei se faria mais.

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Captação de imagens e edição: Leo Lemos / Sobre o programa semanal da coluna GENTE. Quando: vai ao ar toda segunda-feira. Onde assistir: No canal da VEJA+ no Youtube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221).

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Fonte: veja.abril.com.br

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