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Mundo caminha para aquecimento catastrófico de 2,8°C e fracassa em reduzir emissões, diz ONU

Novo relatório mostra que compromissos climáticos dos países são insuficientes para conter a alta da temperatura

O planeta poderá registrar um aumento de 2,8°C na temperatura média até o fim do século caso os governos mantenham suas atuais políticas ambientais. A projeção consta de um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta quarta-feira, 21, que aponta a persistência das emissões de gases de efeito estufa e a distância entre as promessas dos países e as medidas necessárias para conter o aquecimento global.

O documento mostra que o mundo continua longe das metas do Acordo de Paris, firmado em 2015 por quase 200 países. O tratado prevê limitar o aumento da temperatura a menos de 2°C em relação ao período pré-industrial, com esforços para mantê-lo em 1,5°C.

Segundo a ONU, já não é possível evitar que o planeta ultrapasse temporariamente o limite de 1,5°C. Ainda existe, porém, a possibilidade de reduzir as emissões nas próximas décadas e fazer a temperatura voltar a níveis inferiores a esse patamar até o fim do século.

Para isso, seria necessário cortar as emissões globais em 45% até 2035. Os compromissos apresentados pelos governos, no entanto, preveem uma redução de apenas 11% a 15% no mesmo período.

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Emissões continuam próximas de recordes

Apesar da expansão das fontes renováveis, o consumo de combustíveis fósseis continua dificultando o combate às mudanças climáticas.

Em 2025, as emissões mundiais de gases de efeito estufa tiveram uma redução de apenas 100 milhões de toneladas em relação ao ano anterior. A queda foi influenciada, em parte, pela diminuição das emissões associadas a incêndios florestais.

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O recuo, contudo, é considerado insuficiente para indicar uma mudança duradoura. As emissões provenientes da queima de carvão, petróleo e gás natural continuaram crescendo em ritmo semelhante ao observado na última década.

Isso significa que, mesmo com os avanços tecnológicos e o aumento dos investimentos em energia limpa, a economia mundial ainda não iniciou uma trajetória consistente de redução da poluição responsável pelo aquecimento global.

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Estados Unidos voltam a elevar emissões

Os Estados Unidos aparecem entre os países desenvolvidos com maior aumento recente das emissões relacionadas à energia. O movimento foi impulsionado pela retomada da geração de eletricidade em usinas a carvão, em resposta ao crescimento da demanda energética.

A mudança ocorre sob o governo de Donald Trump, que adotou medidas de incentivo aos combustíveis fósseis e decidiu retirar novamente o país do Acordo de Paris.

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O carvão tem uma das maiores intensidades de emissão de dióxido de carbono entre as fontes utilizadas para produzir eletricidade. Seu maior consumo dificulta a redução da poluição do setor energético americano, que vinha apresentando uma tendência de queda ao longo da última década.

As emissões relacionadas à energia também aumentaram na China e na Indonésia. Em contrapartida, a Índia e a União Europeia registraram reduções, segundo o levantamento.

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O resultado mostra que a transição energética avança em ritmos diferentes. Enquanto alguns países conseguem reduzir o uso de combustíveis fósseis, outros continuam recorrendo a essas fontes para atender ao crescimento da demanda por eletricidade.

Metas atuais não impedem aquecimento perigoso

O Pnuma calculou diferentes trajetórias para a temperatura mundial conforme o grau de cumprimento das políticas climáticas.

Se os governos mantiverem apenas as medidas atualmente em vigor, o aquecimento projetado será de 2,8°C até 2100. Caso cumpram integralmente as metas nacionais que não dependem de financiamento externo, a estimativa cai para 2,7°C.

O cenário melhora para 2,6°C se também forem executados os compromissos condicionados à obtenção de recursos internacionais.

A diferença entre os resultados mostra que as promessas apresentadas pelos países ainda estão distantes do esforço necessário para cumprir o Acordo de Paris.

O relatório também aponta que as novas metas climáticas entregues desde o ano passado tiveram impacto praticamente nulo sobre a trajetória das emissões mundiais. A saída dos Estados Unidos do acordo contribuiu para limitar o avanço das negociações.

A projeção de 2,8°C sob as políticas atuais permaneceu inalterada em relação ao levantamento anterior. Já os cenários baseados nas promessas nacionais ficaram menos favoráveis.

Por que a diferença de temperatura importa

O aumento da temperatura média mundial intensifica fenômenos como ondas de calor, secas e chuvas extremas. Também contribui para a elevação do nível dos oceanos e para alterações nos padrões de precipitação, com consequências para a agricultura, a infraestrutura e o abastecimento de água.

Os riscos crescem conforme o planeta aquece. Por isso, uma diferença aparentemente pequena na temperatura média pode representar impactos relevantes sobre ecossistemas, cidades e atividades econômicas.

A ONU ressalta que ultrapassar 1,5°C não significa que todos os esforços para limitar o aquecimento tenham perdido a importância. Reduções rápidas das emissões podem diminuir a intensidade e a duração desse período de temperaturas mais elevadas.

A possibilidade de retornar a um patamar inferior a 1,5°C dependeria, porém, não apenas da redução do uso de combustíveis fósseis, mas também da retirada de grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.

Essas tecnologias ainda enfrentam limitações de custo, escala e viabilidade técnica. O relatório destaca que sua expansão envolve desafios econômicos e sociais consideráveis.

Energia solar avança, mas não resolve o problema sozinha

O levantamento também identifica resultados positivos na expansão da eletricidade renovável. A capacidade instalada de geração limpa, especialmente de energia solar, cresceu muito mais rapidamente do que se previa quando o Acordo de Paris foi assinado.

Esse avanço demonstra que a substituição de combustíveis fósseis por alternativas de menor emissão é tecnicamente possível em parte importante do setor elétrico.

O desafio é acelerar a mudança e estendê-la a atividades que ainda dependem fortemente de petróleo, carvão e gás, como transporte, indústria pesada e produção de determinados materiais.

Para a diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, o atraso acumulado nas políticas climáticas tornou mais difícil cumprir os objetivos internacionais. Ainda assim, a redução acelerada das emissões poderia limitar o período em que a temperatura permaneceria acima de 1,5°C.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também defendeu que a ultrapassagem temporária desse limite não seja tratada como motivo para abandonar as metas climáticas.

O novo relatório reforça que o problema central já não é a falta de alternativas tecnológicas, mas a velocidade de sua adoção. Sem mudanças mais profundas nas políticas energéticas e industriais, a expansão das fontes renováveis continuará insuficiente para compensar o consumo de combustíveis fósseis.

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Fonte: veja.abril.com.br

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