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Por que pena de morte persiste nos Estados Unidos? Americanos apoiam

Os casos de Christa Pike e de Nidal Hasan, major terrorista que matou treze, estremecem a discussão, mas maioria continua a favor

Uma execução por pelotão de fuzilamento transmitida ao vivo? A declaração do secretário da Defesa, Pete Hegseth, deixou muitos americanos de queixo caído. Mesmo diante do tamanho da barbárie que Nidal Hasan, um psiquiatra do Exército que matou treze colegas e feriu 32 depois de se fanatizar para o lado do islamismo, muitos americanos foram pegos de surpresa.

Mesmo entre os que apoiam a pena de morte, houve rejeição. “Não é uma coisa que eu assistiria”, disse o vice-presidente JD Vance. Outros disseram que execuções públicas só acontecem em países como Irã e Afeganistão ironicamente controlados pelo fundamentalismo islâmico ao qual Nidal Hassan aderiu (xiita no primeiro caso, sunita no segundo). Acrescente-se que Nidal, que tinha patente de major, ficou paraplégico no confronto com a polícia para capturá-lo.

À hipótese altamente controvertida de transmissão ao vivo de uma rara execução militar somou-se ao estarrecedor caso de Christa Pike, a mulher de 50 anos que matou por ciúmes uma colega de escola quando tinha 18 e sobreviveu a duas doses de injeção letal. No sábado, depois de breve hospitalização, ela recebeu alta e voltou para a prisão. Provavelmente nunca será submetida outra vez às injeções de pentobarbital devido ao espaço jurídico aberto pela execução fracassada. Não escapa a ninguém a ironia de que o mesmo Estado que tentou matá-la duas vezes proporcionou assistência médica intensiva para a incrível recuperação.

MORALMENTE JUSTIFICADA?

Poderia Christa Pike ser uma das últimas pessoas executadas legalmente nos Estados Unidos? O caso foi intenso e continua a ter repercussões, com o restabelecimento da presa despertando intensa curiosidade. Certamente terá alguma influência sobre a opinião pública, mas a maioria a favor da pena de morte é sólida.

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Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, 66% dos americanos são a favor da pena de morte, que é aplicada em 27 dos 50 estados, em casos de condenados por homicídio. Uma proporção ligeiramente maior, 68%, acha que a pena é moralmente justificada nesses casos.

O argumento da punição máxima para homicidas pesa mais do que o fator dissuasivo. Apenas 39% acham que a pena de morte faz com que sejam cometidos menos crimes graves.

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Apesar das previsíveis divisões partidárias, a pena de morte é apoiada até por uma maioria dos americanos alinhados com o Partido Democrata, na proporção de 51%. Entre os republicanos, bate em 84%. Isso se reflete na sua efetiva aplicação: a pena máxima persiste em estados onde os governadores e legisladores estaduais são republicanos, refletindo o voto da população

No Brasil, segundo uma pesquisa Ipsos-Ipec do ano passado, 49% são contra a pena de morte e 43% a favor.

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“Eu vou estar lá quando apertarem o gatilho, disse à BBC um sobrevivente da chacina praticada por Nidal Hassan num centro médico de Fort Hood. Alonzo Lunsford , que era sargento na época, em 2009, levou nada menos que sete tiros, inclusive depois que conseguiu sair do espaço transformado em matadouro de militares desarmados. Quero olhar nos olhos dele e pensar: Cara, você fracassou, eu continuo aqui.

Mas Lunsford não é a favor da transmissão ao vivo, que dificilmente acontecerá. A data da execução de Hassan está marcada para o próximo 3 de dezembro.

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Fonte: veja.abril.com.br

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