Pesquisa da TOTVS com o MIT revela que 80% das empresas brasileiras usam IA, mas apenas 7% integram a tecnologia ao modelo de negócios
Um estudo realizado pela TOTVS em parceria com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) revela um paradoxo no uso da inteligência artificial pelas empresas brasileiras: embora 80% delas já utilizem a tecnologia em algum grau, 93% não conseguem incorporá-la de fato ao seu modelo de negócios.
Os dados foram apresentados em um evento do setor realizado em São Paulo.
O levantamento aponta ainda que 88% das empresas sequer contabilizam o retorno financeiro obtido com o uso da IA, evidenciando que o país ainda vive uma fase predominantemente experimental com a tecnologia.
Era das experimentações
Com a inteligência artificial cada vez mais presente dentro das organizações, o desafio central identificado pelo estudo é o de tirar grandes projetos de IA do papel e transformá-los em ferramentas confiáveis, de grande escala e que gerem retorno real.
Segundo o estudo, não é a inteligência artificial em si que produz valor nas empresas, mas sim a forma como ela muda o modelo de fazer negócios visão atribuída a George Westerman, professor sênior do MIT.
A chamada “virada de chave” para transformar projetos-piloto em resultados concretos passa, segundo o estudo, por um plano estruturado de transformação digital para o Brasil nos próximos 30 anos, denominado “Brasil Digital 30+”.
Investimento sem estratégia
“As empresas, muitas das empresas hoje estão investindo, mas não estão com esse investimento de IA na sua estratégia. Estão simplesmente testando”, afirmou Laércio Consentino, fundador da TOTVS.
Segundo ele, o uso da tecnologia ainda é mais uma evolução individual de cada funcionário do que uma transformação efetiva da própria empresa. “As empresas também precisam pensar na IA como um lado estratégico para crescimento e para competição”, acrescentou.
Ramon Martin, diretor de IA da TOTVS, destacou que o momento atual é de experimentação voltada à produtividade individual.
“Certamente você, eu, todos nós já estamos utilizando alguma IA para melhorar, resumir um e-mail, para verificar alguma passagem aérea, ou seja, fazer algumas pequenas atividades”, disse.
Para ele, o próximo passo é avançar para uma produtividade mais sistêmica, capaz de automatizar processos de negócio e conectar a tecnologia ao dia a dia das empresas de forma mais ampla e estruturada.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br