Aeronave havia decolado do Texas com destino às Bahamas; imagens de câmera veicular mostram explosão perto de casas e carros
Um jatinho executivo com nove pessoas a bordo caiu neste domingo, 1º, em uma área residencial do condado de Palm Beach, no sul da Flórida, nos Estados Unidos, e explodiu em uma enorme bola de fogo. Todos os ocupantes morreram, segundo o secretário de Transportes americano, Sean Duffy. O impacto abriu uma cratera no asfalto e espalhou destroços nas proximidades da Military Trail, uma via movimentada da região. Não houve registro de vítimas em solo.
Imagens registradas por uma câmera instalada em um carro mostram o momento em que a aeronave despenca quase verticalmente e atinge o chão, provocando uma explosão. Na sequência, uma densa coluna de fumaça preta tomou conta da área, enquanto chamas se espalhavam pelos destroços. O acidente ocorreu na Military Trail, uma avenida movimentada de seis faixas, que precisou ser interditada.
O avião era um Learjet 60, aeronave particular que havia decolado do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36 (horário local), com destino às Bahamas. A queda aconteceu por volta das 12h50, pouco mais de duas horas depois da partida. Segundo dados do site de monitoramento aéreo FlightRadar24, a última velocidade registrada antes do impacto foi de aproximadamente 430 quilômetros por hora.
O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, classificou o episódio como uma tragédia horrível em publicação nas redes sociais. Ele informou que a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) enviaria uma equipe para auxiliar a investigação conduzida pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB).
Piloto relatou formação de gelo antes da queda
Gravações das comunicações com o controle de tráfego aéreo indicam que o piloto relatou turbulência moderada e acúmulo de gelo na aeronave momentos antes do acidente. O jato voava a aproximadamente 10,6 quilômetros de altitude quando a tripulação informou que enfrentava precipitação e solicitou autorização para subir.
A situação se deteriorou rapidamente. Dados de rastreamento de voo mostram que a aeronave entrou em um mergulho acentuado, com velocidade de descida crescente. Durante a emergência, o piloto declarou que o avião estava perdendo altitude a cerca de 3 mil metros por minuto. Pouco depois, informou que a velocidade de descida havia chegado a 20 mil pés por minuto e emitiu um último alerta: Vamos nos chocar contra o solo.
De acordo com as gravações, a última comunicação da cabine foi: Estamos sem tempo. Ainda não há confirmação sobre o que provocou a perda de controle. A formação de gelo e a turbulência estão entre os fatores que poderão ser examinados pelos investigadores, mas nenhuma causa foi oficialmente estabelecida.
Investigação e danos na região
O NTSB enviou investigadores para apurar as circunstâncias do acidente. A análise deverá considerar os registros de voo, as comunicações da tripulação, as condições meteorológicas e os destroços da aeronave. As autoridades ainda não divulgaram a identidade das nove pessoas que estavam a bordo.
Após a queda, aproximadamente 600 moradores de um conjunto residencial de casas móveis nas proximidades foram retirados de suas casas por precaução. O impacto também provocou danos à infraestrutura local, incluindo ao sistema de abastecimento de água. Segundo autoridades do condado de Palm Beach, a Military Trail deverá permanecer fechada por pelo menos 30 dias para os trabalhos de recuperação.
O acidente aconteceu nas proximidades de Cresthaven, a cerca de 14 quilômetros de Mar-a-Lago, propriedade do presidente Donald Trump em Palm Beach. Trump havia deixado a região a bordo do Air Force One aproximadamente uma hora antes da queda, após passar a manhã no resort.
Como é o Learjet 60
Fabricado pela Bombardier, o Learjet 60 é um jato executivo de médio porte utilizado na aviação privada, corporativa e em serviços de fretamento. O modelo é equipado com dois motores e entrou em serviço em 1993. Dependendo da configuração, pode transportar até oito passageiros, além dos dois tripulantes.
Fonte: veja.abril.com.br