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O que se sabe sobre o meteorito de Marte encontrado no Saara

O Teghaza 001, achado em 2022 no Mali, é um dos fragmentos mais antigos do planeta vermelho já encontrados na Terra

Pesquisadores financiados pela Nasa identificaram que o meteorito Teghaza 001, achado em 2022 no Mali, é um dos fragmentos mais antigos de Marte já encontrados na Terra, com mais de 4,1 bilhões de anos. A rocha traz indícios de que a água já alterava seus minerais naquela época, sugerindo que Marte perdia água desde cedo.

O Contexto: uma rocha de Marte no deserto

– Descoberto em uma planície de sal no Mali, o meteorito foi batizado de Teghaza 001, nome do local do achado. Tem quase 800 gramas e se partiu em oito pedaços.

– A rocha entra para um grupo restrito de meteoritos marcianos muito antigos. O ALH84001, encontrado na Antártida em 1984, é formado quase inteiramente por um único mineral. O Black Beauty, achado no Saara marroquino em 2011, abriga grãos de até 4,44 bilhões de anos, mas reunidos em uma rocha bem mais recente.

O Fato: a idade e os sinais de água

– Para datar a amostra, cientistas do Caltech usaram um método inédito, baseado no decaimento de rubídio em estrôncio, que analisa grãos minerais isolados. A técnica dispensou grandes cortes: bastou um pedaço menor que uma unha, o que preserva o material para estudos futuros.

– Cristais de zircão encontrados na rocha, que retêm urânio que se transforma em chumbo em ritmo conhecido, ofereceram uma segunda medição precisa da idade.

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– Um artigo publicado na Science Advances em junho de 2026 examinou o hidrogênio presente na rocha e concluiu que a água já alterava seus minerais há cerca de 4,1 bilhões de anos.

Os Impactos: o que a rocha muda no debate

– O meteorito tem composição diversificada e rica em silício, mais parecida com a do granito do que com a dos basaltos que predominam na superfície marciana. O achado contesta a ideia de que Marte, sem tectônica de placas ativa, seria incapaz de formar uma crosta tão complexa.

– A mineralogia coincide com o que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa, observa nas terras altas do sul do planeta.

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– Yang Liu, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa e autor principal do estudo, definiu o meteorito como uma “Pedra de Roseta para Marte”. Para o coautor Lee Saper, a rocha registra a interação entre água e rocha e, talvez, até uma marca da atmosfera marciana enquanto o planeta perdia água.

– Em agosto de 2026, estudos de tomografia de nêutrons e raios X sobre o Black Beauty confirmaram nele regiões ricas em hidrogênio, mais uma evidência de contato precoce entre água e rocha em Marte.

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Próximos Passos: o que vem a seguir

– Os pesquisadores afirmam que novas análises estão em andamento.

– A massa principal do Teghaza 001 pertence ao Maine Mineral & Gem Museum, que forneceu a amostra usada nas pesquisas.

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Fonte: veja.abril.com.br

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