Pesquisadores do instituto de pesquisa da Vale e do Inpe defendem planejamento para enfrentar secas, cheias e calor
Pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV), ligado à mineradora, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) recomendam que governos, empresas e moradores se preparem para os efeitos de um El Niño muito forte.
O fenômeno deve persistir pelo menos até o início de 2027 e alterar os padrões de chuva e temperatura no Brasil.
A previsão indica maior probabilidade de chuva acima da média no Sul e de condições mais secas em partes do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste.
As temperaturas também devem ficar acima do normal em grande parte do país, o que pode aumentar a frequência de ondas de calor. As projeções apontam tendências para cada região, mas não permitem prever com meses de antecedência a ocorrência de um desastre específico.
Boletim de setembro do Painel El Niño, que reúne órgãos como Inpe, Inmet e Cemaden, estimou em mais de 95% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
A NOAA, agência dos Estados Unidos, também prevê um evento forte a muito forte até o primeiro trimestre de 2027. A força do El Niño, porém, não determina sozinha o impacto em cada localidade: a distribuição e a intensidade das consequências podem mudar ao longo do período.
No Sul, a previsão de chuva acima da média mantém o risco de cheias. No Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de menos chuva e maior risco de seca e fogo.
Em setembro, 197 municípios estavam em situação de seca severa, ante 153 em agosto, segundo o Cemaden. Outros 24 enfrentavam seca extrema, contra quatro no mês anterior. Para o trimestre de outubro a dezembro, o órgão classificou 395 municípios em alerta alto para risco de fogo e outros 533 em alerta.
O termo Super El Niño, usado para descrever eventos excepcionalmente intensos, não é uma classificação científica oficial. O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes que o normal e alteram a circulação atmosférica.
Essas mudanças influenciam padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo, mas seus efeitos não são uniformes nem garantem que determinada região enfrentará uma inundação, seca ou onda de calor.
Os pesquisadores defendem que a preparação considere os riscos próprios de cada território. Em áreas sujeitas a enchentes, enxurradas e deslizamentos, a recomendação é identificar rotas de saída, locais seguros e abrigos indicados pelas autoridades.
Rachaduras em paredes ou terrenos, além da inclinação de postes e árvores, podem ser sinais de movimentação de encostas e devem ser comunicados à Defesa Civil.
Durante alagamentos, a orientação é não atravessar a água a pé ou de carro e evitar contato com a lama, que pode estar contaminada.
Em períodos de estiagem, as medidas incluem economizar água, corrigir vazamentos e evitar atividades que possam provocar incêndios. Em dias de calor intenso, os pesquisadores recomendam reduzir a exposição ao sol e dar atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Acompanhar previsões meteorológicas, alertas da Defesa Civil e comunicados de prefeituras e governos estaduais é outra medida indicada. As previsões climáticas ajudam a organizar ações com antecedência, mas podem mudar e não substituem os alertas de curto prazo nem as orientações das autoridades locais.
Fonte: veja.abril.com.br